Além de ter sua privacidade exposta para a cidade inteira, ou mesmo para todo o país, por causa da divulgação do crime, em tempo praticamente real, por meio da imprensa, a vítima maior no assalto com refém pode desenvolver sequelas a exemplo do “Estresse Pós-Traumático”, que, na linguagem de psicólogos seria uma espécie de perturbação psíquica derivada de eventos que ameaçam a vida e o bem-estar de quem sofre esse tipo de crime. “E a menor lembrança desses eventos pode desencadear reações intensas no organismo psicofísico dela, caso ela já tenha passado pelo episódio. No momento que um ser humano sofre uma agressão, seja psicológica e/ou física, uma série de reações psíquicas e fisiológicas podem acontecer, como medo, raiva e todos esses sentimentos, para tentar preservar sua vida, sua sobrevivência diante do fato ameaçador”, explica a psicóloga clínica Maria de Nazaré Dias Tavares. Segundo ela, há pessoas que se paralisam e perdem os sentidos, há aquelas que entram em estado de choque e ficam inertes – absortas – e, ainda, aquelas que desenvolvem uma reação de ódio contra o agressor e muitas vezes revidam ao ataque, “assinando” sua sentença de morte com o ato desesperado de revidar. “Essas pessoas não levam em conta que o meliante entra numa situação de violência para o que der e vier, para matar ou morrer. A pessoa, na medida do possível, deve tentar manter a calma, o controle emocional e procurar fazer o que o marginal ordenou, a fim de que possa ter a chance de ver o episódio encerrar-se, sem a perda de sua vida”, acrescenta a especialista. Por serem episódios considerados, na psicologia clínica, particulares, e que variam de pessoa para pessoa, não se tem como prever as reações da vítima. O mais sensato, diz Maria de Nazaré, é manter a calma, e não perder na esperança de sair do episódio com vida. Como tratamento posterior ao trauma, ela recomenda ajuda profissional, baseada em psicoterapia “para poder elaborar as perdas diversas (emocionais, humanas, materiais) que sofreu no episódio”. E o sequestrador? “Qualquer ato desesperado pode ser considerado uma forma de chamar a atenção para um drama que se esteja vivendo, quando chega-se ao limite de sua verdade existencial. A criminalidade não deixa de estar envolvida nessa questão, a miséria espiritual e material em que um ser humano encontra-se pode vir a levá-lo a distúrbios psíquicos, onde a falta de valores espirituais, familiares e pessoais os fazem ‘abraçar essa escolha’, além, é claro, da disposição da índole da pessoa para buscar o mal”. A psicóloga vai além e diz que há ainda a tentativa de preservar a própria vida depois de perceber o ato desesperado que cometeu. “E sua única ‘garantia’ seria manter a outra pessoa sob seu poder para obter algum benefício, como vemos diariamente nas negociações de sequestradores e policiais. O drama é maior do que parece e envolve toda a miséria espiritual, mental e material a que chegamos”. (Diário do Pará) |
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