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Pimentais têm tecnologia de baixo custo

O pé de pimenteira-do-reino (Piper nigrum L), planta trepadeira, precisa de um tutor (apoio) para direcionar seu crescimento. As estacas de madeira nobre têm sido largamente empregadas para esse fim (tutor morto), mas seu custo elevado, a escassez e as re

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O pé de pimenteira-do-reino (Piper nigrum L), planta trepadeira, precisa de um tutor (apoio) para direcionar seu crescimento. As estacas de madeira nobre têm sido largamente empregadas para esse fim (tutor morto), mas seu custo elevado, a escassez e as restrições ambientais levam os produtores da região Norte a encontrar alternativas menos proibitivas, trocando-as por tutores vivos.

A gliricídia (Gliricidia sepium (Jacq.) Steud) é uma árvore recomendada pela Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, para ser utilizada como tutor vivo no cultivo sombreado da pimenteira-do-reino. “É uma tecnologia de baixo custo de implantação, fácil de ser desenvolvida e apropriada principalmente para agricultura familiar, informa o engenheiro agrônomo Antonio Menezes, analista da Embrapa Amazônia Oriental, que nos últimos três anos estuda cultivos da pimenteira-do-reino em tutor vivo nos municípios paraenses onde houve adoção da tecnologia. Segundo ele, os custos de implantação ao produtor é de R$ 8 mil para um hectare com 1.100 pés.

Conforme já se preconizava no documento técnico “Sistema de Produção da Pimenteira-do-reino”, lançado em 2004 pela Embrapa e disponível na internet, considerando o menor custo com tutores vivos e utilização de mão de obra familiar, o cultivo da pimenteira-do-reino com tutor vivo é o mais indicado para pequenos produtores”. O Pará responde atualmente por cerca de 80% da safra nacional de pimenta-do-reino. “A maioria dos produtores da especiaria é formada por agricultores familiares com área menor que dois hectares. Isto representa 52% dos estabelecimentos e 38% da área plantada”, analisa Antonio Menezes..

Dados do estudo revelam que, para cada hectare cultivado, é preciso derrubar de 25 a 30 árvores nobres para produção de estacões. “O emprego da gliricídia contorna a dificuldade de obtenção de estacões de madeira nobre, como maçaranduba, acapu e jarana. Este é o maior custo da implantação dos pimentais no sistema de tutor morto. Cada estacão de dois metros está custando cerca de R$ 14”, informa o pesquisador Alfredo Homma, socioeconomista da Embrapa Amazônia Oriental.

Entre outras vantagens, Antonio Menezes observou que o uso da gliricídia como tutor vivo contribui para que haja maior uniformidade e longevidade nos pimentais (compensando assim a diminuição da produtividade observada); também há melhoria da qualidade do solo, tanto por meio da decomposição do material oriundo das podas periódicas efetuadas para garantir melhor luminosidade quanto pela fixação biológica do nitrogênio atmosférico através das raízes.

“Após o fim do ciclo produtivo econômico da cultura e morte das pimenteiras, as áreas sombreadas poderão ser utilizadas para o plantio de cacaueiro, cupuaçuzeiros e açaizeiros, aproveitando a adubação residual das pimenteiras para formação de sistemas agroflorestais”, explica Alfredo Homma.

PUBLICAÇÕES

Menezes chegou a essas conclusões após estudar um plantio de 50 mil pés de pimenteira-do-reino em tutor vivo em uma propriedade de 37 hectares em Santo Antônio do Tauá. Lá coletou indicadores econômicos nas operações de preparo de área manual e mecanizada, custo com mão de obra para implantação, hora/trator, custos dos insumos e os tratos culturais envolvidos no uso do tutor vivo.

Os resultados acabam de ser publicados em artigo na revista “Amazônia, Ciência e Desenvolvimento”, do Banco da Amazônia, disponível no site da instituição bancária (número 16), intitulado “Tutor vivo de gliricídia (Gliricidia sepium L.) para pimenteira-do-reino (Piper nigrum L.): preservando recursos florestais com produção para Estado do Pará”; em breve vão estar também disponíveis em publicação on-line da Embrapa.

(Diário do Pará)

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