Diante dos atrativos muito bem valorizados por parte de quem vende, o olhar do Gustavo Henrique, de oito anos, é imediatamente direcionado aos objetos que acendem e se movem na calçada de uma ruas do Comércio, em Belém. Sem que os brinquedos sejam acompanhados de qualquer embalagem que estampe os requisitos necessários de verificação de qualidade, o que resta à técnica de enfermagem, Edineuza Wanzeler é convencer o filho de que aquele não é o brinquedo mais adequado. “A gente não tem com saber a procedência, não é?”.
Publicado neste mês no site da Diretoria de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-PA), a convocação para que os proprietários do brinquedo “Minha Casinha” retirem o produto do contato com crianças por existir risco de acidente por asfixia é também um alerta sobre os cuidados que pais e responsáveis precisam ter no momento da compra para os filhos.
Muito além do preço e da beleza do produto, é preciso ficar atento à qualidade e possíveis riscos oferecidos, como evidencia o agente fiscal de Objetos Regulamentados do Instituto de Metrologia do Estado do Pará (Inmetro), Pedro Prestes. “O que não pode é a pessoa se precipitar na hora de comprar um brinquedo”, aconselha. “A avaliação intuitiva faz parte também, verificar se o brinquedo tem pontas que podem ferir, cortar. Mas a primeira coisa que a pessoa tem que ver é se o brinquedo tem o selo de identificação de conformidade”.
Mais conhecido como selo do Inmetro, a impressão do símbolo é a garantia de que o produto em questão passou pela avaliação do órgão responsável. Segundo Pedro Prestes, quando a embalagem do brinquedo traz o selo, significa que ele passou por determinados testes que avaliam as chances dele oferecer risco à criança. “Há um critério de segurança mínima para os brinquedos e que são levados em consideração nos testes realizados. O selo quer dizer que o produto atende aos requisitos mínimos de segurança”, explica. “As massas de modelar, por exemplo, precisam passar por uma análise química, por testes para saber se são adequadas ou se oferecem risco à saúde da criança”.
EMBALAGENS
Ainda que já signifique uma segurança maior, pais e responsáveis também precisam ficar atentos a outros aspectos impressos nas embalagens. Deve ser respeitada a faixa etária indicativa do brinquedo. A linguagem utilizada na embalagem para a descrição do produto deve estar em português e os brinquedos mais complexos precisam ser acompanhados de manual de instruções de uso e os possíveis riscos que aquele brinquedo pode oferecer. “É muito importante que os pais obedeçam à faixa etária porque quando o pai compra um brinquedo para o filho que não é indicado para a faixa etária dele, esse pai está assumindo o risco e eximindo a responsabilidade do fabricante”.
Para evitar que qualquer risco à saúde e à segurança do filho, antes que Gustavo Henrique defina o brinquedo escolhido, Edineuza Wanzeler faz uma análise atenta dos selos de identificação impressos na embalagem. “Eu só compro se tiver o selo do Inmetro e observo se tem peças que têm facilidade de soltar. Tem alguns brinquedos de plástico que podem causar até asfixia na criança”, considera. “Esses que vendem em camelôs na rua a gente nunca sabe a procedência, então, prefiro nem comprar”.
Com um filho ainda mais novo, a dona de casa Regina Duarte também não descuida. Diante da agitação do pequeno Nicolas, de apenas dois anos, a sua principal preocupação é com as peças que ele possa vir a colocar na boca. “Eu vejo primeiro se não tem risco pra ele em termos dele engolir, ferir os olhinhos”, aponta. “Eu me preocupo sim, ainda mais que ele é uma criança ‘sapeca’. Tem que observar tudo”.
(Diário do Pará)
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