O medo não permite que a auxiliar administrativa Larissa Leal (nome fictício) sequer se identifique para denunciar a rotina de insegurança imposta aos moradores do bairro do Jaderlândia, em Ananindeua. Para que consiga cumprir o horário de trabalho, a saída de casa por volta das 6h30 tem se tornado cada vez mais difícil para a auxiliar administrativa. “Acaba se tornando como se fosse um toque de recolher, porque das 5h30 até as 7h é assalto direto”.
Ainda que, segundo a moradora, todo o bairro sofra com a violência, os pontos de maior concentração de assaltos e roubos seriam as ruas I e H, às proximidades da rua Tancredo Neves, onde está localizada a Delegacia de Polícia Civil do bairro. “Está muito perigoso. A gente já tá evitando sair à rua porque tem que passar por esse medo, por esse constrangimento. Eles (assaltantes) estão marcando ponto direto ali”, revela a moradora, ao denunciar que quase não são realizadas rondas no local. “A delegacia não funciona direito. Ela só abre às 9h e mal tem uma pessoa para registrar uma ocorrência. Se a gente vai pedir que façam uma ronda nos locais de assalto, não tem como, não fazem”.
Já movimentada por volta das 10h, a rua H é facilmente identificada por quem mora no bairro como de concentração de assaltos. Apesar de reticentes ao falar sobre a insegurança, não são poucos os moradores que têm uma história de assalto para contar. “Meu filho estava na porta de casa um dia desses, era umas 19h, quando desceu um mototáxi e assaltou ele aqui, na porta mesmo. Nem tava esperando”, comenta receosa a dona de casa Marinete Campos. “De manhã é a mesma coisa. Minha filha sai às 6h30 para o trabalho e é nesse horário que eles gostam de assaltar. Um dia desses, um mototáxi levou as coisas dela. Outro dia foi lá pelas 22h que ela tava andando e percebeu que um cara tava seguindo ela. Ela só se livrou porque apertou o passo e conseguiu entrar logo em casa. Depois que ela entrou, o cara voltou”.
Moradora do bairro há 27 anos, a senhora já teve a rotina alterada muitas vezes para se adequar às imposições da violência. “De noite eu só saio pra ir para a igreja e com medo. A gente que é de bem fica trancado e eles ficam soltos. Nessa rua mesmo, qualquer hora tem assalto”, reforça. “Antes a gente ainda podia ficar na porta de casa conversando, agora a gente fica o tempo todo apreensivo, não tem sossego”.
Polícia
Em nota, a Polícia Civil do Estado do Pará (PC) informou que “a Delegacia da Jaderlândia tem horário de funcionamento de expediente, ou seja, das 8h da manhã até as 18h” e que “à noite e aos fins de semana, policiais civis ficam de prontidão na delegacia para prestar orientações à população”.
A nota diz, ainda, que “no período noturno e em fins de semana, o atendimento conta com policiais civis de plantão na Seccional Urbana da Marambaia, que abrange a área do Jaderlândia”, e que há “informações de que a PM (Polícia Militar) tem realizado operações do tipo ‘Saturação’ no bairro para intensificar o policiamento”.
(Diário do Pará)
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