Foi no ritmo do samba e da chuva o início do desfile das escolas de samba do grupo especial de Belém, na noite do último sábado, na passarela da Aldeia Amazônica Davi Miguel. Cerca de 25 mil pessoas estiveram presentes no evento, que durou até 6h30 de domingo. O grande destaque ficou por conta da apresentação da escola Rancho Não Posso Me Amofiná, que transformou a passarela do samba em um estádio de futebol, com enredo que homenageou o centenário do time do Paysandu.
A primeira agremiação a entrar na avenida, molhada por conta da chuva, foi a Escola de Samba da Matinha, que homenageou a escritora paraense Eneida de Moraes. Um dos carros da escola que retratavam a vida e obra da artista apresentou problema, logo resolvido. O desfile acabou dentro do tempo limite.
Já sem chuva, a “Quem São Eles” entrou na passarela e desfilou com adereços e alegorias que destacavam a riqueza natural e cultural do Pará, como os minérios, a fauna e a flora e a devoção do paraense por Nossa Senhora de Nazaré.
A escola seguinte foi a vice-campeã do carnaval do ano passado, a Associação Carnavalesca Bole-Bole. A agremiação prestou homenagem aos cantores Lucinha Bastos, Mahrco Monteiro e Nilson Chaves, que desfilaram do alto de um carro alegórico da agremiação.
Eram os primeiros minutos do domingo, às 0h20, quando a Piratas da Batucada, terceiro colocado no carnaval de 2013, teve um problema no primeiro carro. Houve 15 minutos de atraso no início do desfile da escola. O problema foi solucionado pelos Bombeiros e a agremiação entrou na avenida apresentando o samba-enredo “Fiz do samba meu estandarte”.
Às 1h55, gol do Papão da Curuzu. Não era futebol, mas foi assim que a torcida bicolor que estava presente na Aldeia Amazônica comemorou a passagem do “Rancho Não Posso Me Amofiná” pela avenida. O centenário do Paysandu foi defendido com fogos de artifício, coro da torcida e até ôla a cada passagem dos carros alegóricos que apresentavam as grandes conquistas durante os 100 anos de existência do clube.
Após o Rancho, a escola Deixa Falar apresentou o tema em homenagem ao café no contexto histórico do Brasil. Logo depois, a Embaixada do Samba do Império Pedreirense levou para avenida carros alegóricos que remontavam espetáculos de circo, como malabaristas, globo da morte e palhaços locais conhecidos na promoção da alegria. O destaque da escola foi a participação do ator global Marcos Frota, que também é artista circense.
Por fim, já na claridade do domingo, a escola A Grande Família desfilou enredo em homenagem à beleza natural do país.
Ao final do desfile, o sentimento era de dever cumprido por parte das escolas, que agora esperam ansiosas pelo resultado da apuração que vai definir o grande campeão do carnaval de Belém deste ano.
De acordo com a Fundação Cultural de Belém (Fumbel), a previsão é que a apuração ocorra no dia 6 de março.
Curro Velho levou 400 às ruas
As ruas do bairro do Telégrafo foram tomadas por mais de 400 crianças ontem. De tênis, sandália, patins, uns só de meia ou em cima dos carros alegóricos e no colo das mães: em comum o balanço que provocava o enredo da Escola de Samba Crias do Curro Velho. “O maior espetáculo da Terra é ser criança e viver feliz”, cantavam.
O tradicional desfile das crias ocorreu no sábado (22) levando à avenida dois carros alegóricos em dez alas, todas compostas por crianças e adolescentes da Fundação Curro Velho.
Com uma pequena “pedrita” no colo, Deize Miranda, auxiliar de serviços gerais, acompanhou o desfile desde o início. “Ela é a Maria Eduarda, minha caçula. Tem um ano e seis meses e já é a segunda vez dela no Crias. Meu filho mais velho tem 13 e está na bateria. Meus sobrinhos mais velhos já são até instrutores da Fundação. Na minha família isso é tradição. Com cinco anos todos já participam porque são apaixonados por isso e porque botamos eles nos cursos”, relata.
O carnaval da Fundação Curro Velho trata das questões da vida das crianças e adolescentes. Todos os anos propõe despertar questões fundamentais para melhorar a sociedade, além de ser um trabalho de resgate social das crianças e adolescentes que moram na Vila da Barca e no bairro do Telégrafo. Toda a produção das fantasias, alegorias e adereços é feita a partir do reaproveitamento da sucata plástica, CDs, DVDs, garrafas pets, isopor.
Tatiane Oliveira é instrutora na Fundação e em pouco tempo se apaixonou pelo trabalho. “Estou há dois meses com essas crianças, os de 7 e 8 anos, e sou louca por eles. Sou ‘cria’ há quatro meses e logo fiquei com esses meninos. É um trabalho maravilhoso, complicado, mas gratificante”, disse ela ao coordenar uma ala com mais de 10 dançantes crianças sorrindo a cada estrofe do enredo.
Elas não paravam. Quando pareciam estar cansadas, logo se contagiavam novamente com a energia do público, pais, instrutores e das outras crianças.
O desfile começou na Praça Brasil, seguiu pela Senador Lemos, até a rua Djalma Dutra em direção à sede do Curro Velho. Lá, um baile de carnaval estava preparado para encerrar a manhã com mais diversão. “Já é minha segunda vez aqui. Mas todo dia eu vou pra lá [Fundação] e quando não tenho aula fico o dia todo. Eu gosto muito. Minha fantasia é de soldado, eu quero ser soldado quando crescer”, sorria Lucas Trindade, brincante de 7 anos.
Soure: maratona de blocos será atração
Um dos mais procurados destinos turísticos do Pará é a Ilha do Marajó, um verdadeiro celeiro de riquezas naturais e atrativos turísticos, Soure, também é conhecida como a Pérola do Marajó, prepara-se para receber uma multidão de visitantes para viver as emoções da folia de Momo.
“Teremos quase uma semana fechada de atividades, começando na sexta-feira e indo até a Quarta de Cinzas”, diz o Secretário de Turismo de Soure, Adolfo Maia Junior.
Desde o primeiro final de semana do ano Soure vem se preparando para o carnaval. Arrastões acontecem todos os domingos com o bloco Caldo Quente de Mocotó, o mais tradicional da cidade - que completa 20 anos.
Na próxima sexta, 28, a avenida do sambódromo Lindalva Cassiano, no centro da cidade, receberá a aparelhagem Carroça da Saudade, do Búfalo do Marajó. No sábado, 01, o ocorrerá a escolha da Musa do Carnaval e o início do desfile dos blocos - que concorrem a títulos pelas categorias Enredo e Empolgação. Shows de Luca Farias e banda Açaí Pimenta completam a noite.
Domingo terá arrastão de trio elétrico pela cidade, desfile de blocos e shows com Gil e Banda, além da presença da Escola de Samba Quem São Eles. Na segunda, 03, mais um arrastão com trio elétrico percorrerá a cidade, além de desfile de blocos e shows com a banda XBK e Bruno Mathias.
A Terça-Feira Gorda contará com arrastão de blocos pela cidade, desfile das campeãs e shows com banda Os Brothers e Gil e Banda. Na Quarta-Feira de Cinzas, outro arrastão marca a festa com o tradicional Caldo Quente de Mocotó.
Entre as tradicionais atrações do carnaval de Soure estão os blocos Roberta Close -que arrasta homens vestidos de mulher - e o “Manas da Gorda”. Outro atrativo é o Búfalo Elétrico, uma carroça sonorizada, puxada por búfalos.
(Diário do Pará)
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