Professores da rede municipal de ensino paralisaram as atividades durante a última quarta-feira (26) e protestaram em frente à Secretaria Municipal de Educação (Semec) pela manhã. Eles esperavam ser recebidos pela secretária Nelly Rocha para discutir uma pauta de reivindicações.
De acordo com Joseanne Quemel, integrante da coordenação municipal do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp), a pauta é extensa: “Iniciamos a nossa campanha salarial deste ano. Além de chamar a atenção para isso, há também o descumprimento de diversos termos do acordo firmado ao fim da greve do ano passado”.
Um dos maiores problemas é a falta de eleição direta dos diretores das escolas. “O processo começou em dezembro de forma atropelada e confusa. Depois, a Semec acabou nomeando diretores indicados pelo prefeito e aqueles que foram eleitos diretamente foram impedidos de tomar posse, pois o prefeito já tinha outras pessoas para o cargo”, afirma.
O congelamento do vale alimentação também traz indignação. Segundo os professores, há cinco anos o benefício está parado em R$ 220. O pagamento do piso salarial nacional é outro problema. Embora a prefeitura afirme que desde o início deste ano paga o salário dos professores da rede municipal com o reajuste dado ao salário mínimo de 6,78% (acima da inflação do período, de 5,91%), os trabalhadores questionam. “O nosso salário tem inclusas as gratificações e regência de classe. Com isso, ele fica acima do piso nacional. Mas, se tirarmos essas gratificações, fica no valor de um salário mínimo”, explica Aldo.
Para a Semec, com o reajuste, o professor com 40 horas semanais passou a ganhar R$1.918,60 de piso somado às vantagens, ou seja, 100% de escolaridade, regência de classe e abono salarial, chega a R$ 4.239,73 para o recém-concursado.
A busca por melhor infraestrutura também faz parte dos problemas que os professores encontram nas escolas municipais. A professora Areta Moraes atua na Unidade Pedagógica Nazaré, na região das ilhas: “As escola é feita de madeira e já está cheia de tábuas podres. Eu mesma já caí e até as crianças já caíram muito”. Ela destaca o perigo que a estrutura representa para as 84 crianças de 3 a 13 anos que frequentam a escola. Segundo Areta, muitos ofícios pedindo novas cadeiras e mesas foram respondidos pela Semec apenas com a alegação de que não havia recursos. Aldo Rodrigues explicou que 90% das escolas municipais pararam as atividades, algo em torno de 22 mil professores.
A Semec informou que, apesar da paralisação, 85% da rede permaneceu com as atividades normalmente. Sobre a eleição de diretores de escola, a secretaria afirma que organizou o pleito em dezembro do ano passado e onde ouve quórum nomeou o candidato eleito como novo diretor. Onde não houve a Diretoria de Educação, junto à comunidade, o Conselho de Educação e a Prefeitura de Belém indicaram o profissional, seguindo os requisitos previstos no edital da eleição, para ocupar o cargo.
(Diário do Pará)
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