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Agrotóxico: inimigo insidioso e, às vezes, letal

Quando o assunto é o atendimento das necessidades básicas de alimentação, o consumidor paraense, e como ele o brasileiro em geral de norte a sul do país, vem sendo perseguido, há muito tempo, por um inimigo silencioso, mas implacável. Embora invisível, el

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Quando o assunto é o atendimento das necessidades básicas de alimentação, o consumidor paraense, e como ele o brasileiro em geral de norte a sul do país, vem sendo perseguido, há muito tempo, por um inimigo silencioso, mas implacável. Embora invisível, ele está presente em todos os lugares – em casa, na lanchonete mais humilde ou no restaurante mais luxuoso. Pérfido, se faz ocultar nos pratos e em alguns dos bocados mais apetitosos. É, sim, um conviva indesejável, mas infalivelmente constante nos momentos de maior prazer à mesa de refeições.

O perigo maior mora nos alimentos in natura, ou seja, aqueles que chegam ao consumidor sem antes passar pelo processo de industrialização, visto que, em tais casos, a própria indústria se encarrega de afastar ou minimizar os riscos. Em outras palavras, esse fantasma que representa uma ameaça potencial à saúde está escondido nas frutas, nas verduras e nos legumes, diariamente consumidos por todos os estratos sociais. Ele é membro de uma família numerosa, composta por uma infinidade de marcas de agrotóxicos e defensivos agrícolas. São produtos químicos venenosos que combatem as pragas e ajudam a exterminar a própria vegetação, tidas como ervas daninhas que prejudicam as lavouras.

Essas substâncias, largamente utilizadas pelos produtores rurais brasileiros, podem provocar danos devastadores à saúde humana. Seus efeitos deletérios, muitas vezes fatais, raramente chegam a ser percebidos, a não ser em casos agudos de intoxicação por inalação, ingestão ou exposição direta. Os chamados efeitos crônicos, que só se manifestam depois de semanas ou mesmo anos, são menos agressivos, mas não menos perigosos.

Náuseas, tonteiras, reações alérgicas, dores de cabeça, lesões renais e hepáticas, tumores malignos, alterações genéticas e até o desencadeamento de enfermidades neurológicas, como doença de Parkinson, estão entre as muitas consequências possíveis. Em qualquer caso, a identificação das doenças e dos diferentes distúrbios – que podem afetar indistintamente os sistemas nervoso, respiratório e cardiovascular, além do fígado, rins, pele e olhos – requer exames altamente sofisticados e o tratamento só pode ser conduzido obrigatoriamente por médicos especialistas.

Para o farmacêutico André Eluan, graduado pela UFPA e com pós-graduação em nutriendocrinologia funcional pela Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo, pode ser considerada “espetacular” a iniciativa de se controlar e monitorar o emprego de agrotóxicos na produção de alimentos. Até porque, disse ele, não existe nada mais saudável para o organismo humano do que a alimentação à base de grãos, frutas, verduras, legumes e castanhas.

Procurando dimensionar o alcance do problema representado pelo risco potencial de contaminação dos alimentos, ele observou que o Brasil é, em todo o planeta, o país campeão no uso de agrotóxicos. Entre os efeitos deletérios desses produtos, alerta o especialista que eles são disruptores endócrinos. Ou seja, são substâncias químicas que, quando absorvidas pelo corpo, imitam ou bloqueiam hormônios, perturbando as funções normais do organismo e predispondo-o a uma série de doenças graves.

(Diário do Pará)

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