Quem foi para Mosqueiro curtir o fim de semana do Carnaval encontrou tranquilidade até nas praias mais agitadas, como Murubira, Farol e Chapéu Virado. O domingo da folia começou com sol encoberto a maior parte do tempo e trânsito tranquilo na “ilha do amor”, que teve uma movimentação baixa para o período, segundo quem vive e trabalha por lá.
“Vamos ver como será amanhã (hoje), se melhora o movimento. Até agora está muito fraco. Mosqueiro vem perdendo cada vez mais espaço para outras cidades no carnaval, como Vigia e Cametá. Acho que o descaso da Prefeitura de Belém também conta, pois são poucas as programações. Se não tivesse praia, acho que não dava era ninguém, é o que salva a gente”, contou Luiz da Conceição, que há 12 anos trabalha como garçom em um restaurante à beira-rio.
“Já fomos o terceiro maior Carnaval do Brasil, vinha bloco de Salvador para cá. Agora não vem mais nada. Com a antecipação dos desfiles em Belém, achamos que o movimento aqui ia crescer, mas que nada. Tá é pior que o ano passado”, lamentou.
Anderson Gonçalves, que circula pela orla vendendo máscaras, chapéus e outros acessórios para fantasias de carnaval, também se queixou do pouco movimento. “Parece que só existe o interior do Estado agora no Carnaval, são poucos os que vêm pra cá”, explicou. “Estou na torcida pelo menos para que na segunda e na terça tenha mais gente, para que eu possa ‘tirar algum’”, comentou.
A maré alta e correnteza forte fizeram com que os banhistas ficassem concentrados na beira da praia, sob os olhares atentos dos salva-vidas do Corpo de Bombeiros. Uma das que ficaram na beira, em uma mesa acompanhada dos familiares do noivo, foi a corretora Cristiana Rocha, que estava pela primeira vez em
Mosqueiro.
“Moro em Manaus e vim conhecer a convite da família do meu noivo. Até agora está bom, as pessoas são hospitaleiras, não tem muita agitação, é bem confortável e calmo. Só não vou aos blocos de rua mais tarde porque não conheço muita gente, mas estou gostando bastante mesmo assim”, relatou.
ANIMAÇÃO
Se a calmaria reinava em quase toda a praia, o mesmo não se podia dizer da mesa onde estava Cleidimar Moraes, que trabalha com serviços gerais. Membro do bloco Amigos da Mundurucus, ela, junto de familiares e amigos, cantava e batucava bastante em uma área mais próxima da orla, debaixo de uma árvore. “Pode faltar animação para os outros, mas para nós não falta. Nosso bloco se reúne em Mosqueiro todos os anos e a gente adora. O Carnaval aqui já foi bem mais agitado, acho que as pessoas estão com medo de ir às ruas por causa da violência. Aí acabam preferindo ‘pular’ o Carnaval dentro de casa”, lamentou.
“Eu nem acho que o Carnaval de Mosqueiro mudou tanto, acho que é porque para mim sempre é animado, por causa do pessoal que está comigo”, avaliou o vidraceiro Cristiano Santos, também integrante do bloco.
(Diário do Pará)
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