Roupas de mulher e um pedaço de papelão escrito “As Virgienses” foram o suficiente para dar início à tradição mantida já há 29 anos em Vigia de Nazaré na segunda-feira de Carnaval. Pelas ruas estreitas do município já fantasiados duas horas antes da saída do bloco, os foliões formaram uma multidão de cerca de 90 mil ‘virgienses’ e ‘cabrassurdos’.
Moradores do município de Santo Antônio do Tauá, o grupo de amigos se prepara com antecedência todos os anos para o carnaval de Vigia de Nazaré. Mantendo a tradição de homens se vestirem como mulheres, os homens fantasiados de “Três Mosqueteiras” chamavam atenção por onde passavam na tarde de ontem. “Somos as três mosqueteiras da Walt Disney!”, anunciava o professor Hélio Monteiro, animado diante dos pedidos de foto. “Todo ano a gente tem uma coreografia diferente. O que é bom é essa irreverência”.
Também integrante do grupo das três mosqueteiras que, apesar do nome, era formado por quatro pessoas, o pedreiro Pedro Moraes fez questão de anunciar a preparação para o bloco. “A preparação começou dois meses antes lá em Santo Antônio do Tauá. Em dezembro, ainda. A gente pensa a fantasia e prepara todo o material para ficar tudo igual”, anunciava, sem esquecer de identificar cada integrante. “Sou eu, o Hélio, o Isaac e o Thiago. É tudo família”.
Com o tema planejado desde novembro do ano passado, outro grupo de oito amigos resolveu homenagear os que ocupam as ruas do município após a passagem do bloco. Ao som das tradicionais marchinhas de carnaval e com as vassouras em mãos, os amigos ensaiavam a limpeza da rua. “A gente sempre reúne vários amigos e define um tema. A gente resolveu vir de ‘garinetes’ como forma de protesto também porque nesse período as pessoas deixam as ruas muito sujas”, revelou o universitário Samuel Silva. “O que a gente quer é brincar, mas também chamar a atenção para a necessidade de não sujar as ruas no carnaval”.

(Foto: Thiago Araújo/Diário do Pará)
Com a fantasia restrita a um lenço na cabeça, a corretora de imóveis Jane Magalhães não escondia a animação e se divertia com a variedade de fantasias e temas das virgienses. “É muito divertido, irônico, diferente!”, definia. “É um carnaval muito bom porque a gente vê uma harmonia entre as pessoas, todo mundo brinca com alegria, respeito... a gente não vê confusão”.
Envolvido com a história do bloco desde o nascimento, no ano em que o bloco saiu às ruas pela primeira vez, o atual presidente do bloco os “Cabrassurdos e as Virgienses”, Thiago Palheta, é um dos que mantêm a tradição iniciada por amigos da família em 1986. “O bloco começou apenas com uma brincadeira por um grupo de dez amigos que saíram nas ruas vestidos de mulher e com um papelão escrito ‘as virgienses’”, lembrava. “Isso foi quando o carnaval tava iniciando na cidade e hoje é considerado o maior bloco caricato do Pará”.

(Foto: Thiago Araújo/Diário do Pará)
Além do trio elétrico que acompanha os foliões pelas ruas de Vigia, o bloco ainda distribui caipirinha para os brincantes todos os anos. “Foram 250 litros de caipirinha”, contabilizava. “A gente usou 40 quilos de limão para distribuir pros brincantes”.
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(Diário do Pará)
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