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Projeto estimula crianças a ultrapassar barreiras

À medida que o pequeno Samuel manifesta a própria vontade através das figuras, a angústia nutrida antes pela manicure Alessandra Costa se dissipa. Identificada a dificuldade de comunicação da criança quando ainda tinha dois anos, pouca coisa causava mais

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À medida que o pequeno Samuel manifesta a própria vontade através das figuras, a angústia nutrida antes pela manicure Alessandra Costa se dissipa. Identificada a dificuldade de comunicação da criança quando ainda tinha dois anos, pouca coisa causava mais aflição que não conseguir compreender as vontades do próprio filho.

Apresentado há três semanas ao modelo de comunicação alternativo desenvolvido por um projeto de extensão da Faculdade de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, da Universidade Federal do Pará (UFPA), qualquer melhora é visivelmente comemorada.

Diante da atenção das acadêmicas do curso de Terapia Ocupacional que integram o projeto, Samuel é estimulado a se comunicar através de recursos desenvolvidos ali mesmo. Aliando a presença de objetos e de figuras que os representam, a ideia é fazer com que a criança se comunique e interaja de formas que ultrapassam as barreiras da linguagem oral.

Diretora da Faculdade de Fisioterapia e Terapia Ocupacional e coordenadora do projeto intitulado “Comunicação Alternativa e Ampliada: possibilidades de comunicação e de inclusão para crianças com deficiência - Uma atuação do Terapeuta Ocupacional”, a terapeuta ocupacional Mariane Sarmento explica que o objetivo do projeto, iniciado em abril de 2013, é justamente se dedicar à criação de formas de comunicação alternativas para pacientes com problemas de comunicação, independente da causa.

“A ideia é atender crianças que tenham alguma dificuldade de comunicação. O nosso critério é bem abrangente e não se restringe pela causa. Atendemos crianças com paralisia cerebral, autismo”, explica. “Temos uma parceria com o Bettina (Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza), de onde as crianças são encaminhadas para o atendimento”.

De maneira gratuita, as crianças encaminhadas para o projeto são, inicialmente, avaliadas para identificar o grau de dificuldade que possuem e, a partir daí, terem definidos os recursos que melhor se adequam ao caso.

“Cada caso tem um recurso de comunicação diferente confeccionado pelas acadêmicas e entregue aos pais para que, após serem orientados sobre como usar, possam dar continuidade em casa. Depois a criança volta e se reavaliam as novas necessidades”, explica Mariane. “A gente percebe uma melhora principalmente durante o atendimento. Chega um momento em que a criança já consegue se comunicar mais”.

Ainda no segundo atendimento e após a utilização dos recursos também em casa, Alessandra Costa já percebe uma melhora significativa no processo de comunicação com o pequeno Samuel, hoje com cinco anos e diagnosticado com autismo.
“Ele já melhorou bastante. A minha maior dificuldade é entender o que ele quer porque ele não fala e, com isso, ele já melhorou”, comemora, ao lembrar que foi justamente a ausência da fala que chamou a atenção para o comportamento diferenciado do filho.

“Eu não sabia que existiam essas outras formas de fazer ele se comunicar. Eu ficava muito angustiada porque não conseguia entender o que ele queria. Agora tenho usado as plaquinhas diariamente no horário do almoço, que é quando ele fica mais calmo. Ele já está prestando mais atenção nas coisas, já aponta algumas vezes o que quer”.

Para a professora Mariane Sarmento, o principal benefício do projeto está justamente na possibilidade de fazer com que as crianças possam interagir melhor dentro da própria família.

“A gente percebe que algumas mães, pela própria dificuldade, acabam se limitando no relacionamento com os filhos e aí está a importância do projeto ao mostrar formas novas e baratas de comunicação”, acredita. “Quando a criança consegue se comunicar, isso acaba gerando uma inclusão familiar”.

(Diário do Pará)

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