Antônio Nazareno Delgado Neto, de 25 anos, viajou com a família para a ilha de Cotijuba, onde estava passando o feriado de Carnaval. Tudo parecia bem. No começo da tarde de ontem, Antônio levou o filho de oito anos, o cunhado e outros familiares para pescar em um lago próximo à praia Funda. Sem imaginar o que poderia acontecer, o jovem entrou no lago e acabou sendo picado por uma cobra venenosa, por volta de meio-dia.
Logo após o incidente, Antônio foi levado para o posto de saúde da ilha. Porém, no local não tinha soro antiofídico e havia uma quantidade insuficiente de balão de oxigênio para atender o paciente. “Em Cotijuba não tinha nenhuma lancha, nem barco, nem nada para socorrer o meu sobrinho e levar para Belém”, disse a tia de Antônio, a artesã Sandra Delgado, 40.
De acordo com Sandra, logo em seguida, ela e os familiares de Antônio começaram a acionar o resgate do Corpo de Bombeiros, mas não conseguiram fazer o contato. “Os funcionários do posto disseram que já tinham acionado os bombeiros. Só que estava demorando muito para chegar. Por volta de 13h20, chegaram duas lanchas”, afirma.
Sem ter sido medicado e com a longa espera para ser resgatado, Antônio foi levado da ilha sentido falta de ar. Foram os próprios parentes que carregaram a maca em que ele estava do posto até o trapiche de Cotijuba. “Ele está internado, sem previsão de alta, no PSM da 14 de Março. Como o socorro demorou muito, os médicos disseram que não sabem se ele terá sequelas. Ele está com uma perna roxa, onde foi picado pela cobra, e nós estamos com medo que ele até perca a perna” relatou Sandra.
A tia de Antônio contou ainda que os funcionários do posto de saúde de Cotijuba afirmaram que há muito tempo não chega soro antiofídico ao local para atender a população. “Os médicos disseram que se ele tivesse tomado logo o soro não estaria nessa situação. E eles só poderão dar o diagnóstico para saber se ele vai se recuperar depois de 24 horas que o soro fizer efeito. Os próprios funcionários do posto falaram da falta de assistência. Como é que um lugar de risco não tem lancha e não tem soro?”, reclama.
As assessorias da Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma) e do Pronto-Socorro Municipal da 14 de Março foram procuradas pela reportagem para prestar esclarecimentos sobre a falta de medicamentos no posto de saúde da ilha de Cotijuba e para falar do estado do paciente, respectivamente, mas até o fechamento desta edição, o DIÁRIO não teve retorno.
(Diário do Pará)
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