A conquista do espaço é um sonho de toda a humanidade, e as pessoas que conseguem a façanha de sair do planeta são tida como uma espécie de herói. No Brasil, o nome desse herói é Marcos Pontes, o primeiro e único astronauta brasileiro, que esteve em Belém nesta quinta-feira (6), para gravar um comercial na cidade.
Marcos ganhou destaque mundial ao participar de uma missão espacial em março de 2006, quando passou cerca de nove dias realizando experimentos científicos na Estação Espacial Internacional. “Foi um grande momento da minha carreira. E pretendo ainda voltar para o espaço, com certeza. Mas para isso há dois caminhos. Ou pela agência espacial, mas isso demanda uma negociação entre países, o que é complicado. A possibilidade acaba sendo baixa. Mas também há projetos de iniciativa privada. Nesse cenário, poderia ir até no ano que vem, se eu quisesse”, contou.

"Pretendo voltar ao espaço, com certeza", a afirmou o astronauta. (Foto: Cézar Magalhães/Diário do Pará)
Segundo o astronauta, as missões espaciais refletem diretamente na vida cotidiana. “Atualmente você não vive sem transmissão via satélite, responsável por sinais de televisão, celular e GPS. Há muitos medicamentos também que são feitos com proteínas sintetizadas no espaço”, explicou. “Além de coisas que são criadas para astronautas e reaproveitadas depois para a sociedade, como equipamentos médicos, e coisas menores, como o velcro e um tipo de espuma usada em travesseiros”, contou.
Os benefícios de um programa espacial são grandes, o que leva Marcos a tentar incentivar novas pessoas a seguirem a carreira. “Atualmente eu carrego esse peso sozinho, mas agora o Brasil já possui quatro cursos de engenharia aeroespacial em universidades públicas e em algumas privadas. É importante dar a oportunidade para os jovens seguirem esse caminho. O Brasil possui um programa espacial antigo, mas que parou e foi absurdamente ultrapassado por outros países. Os benefícios de desenvolver essa área seriam muitos grandes”, concluiu. “Quem sabe um dia eu não viro presidente da agência espacial e consigo incentivar novos astronautas no país?”.

Além de astronauta, Marcos Pontes se divide entre palestras, seminários, uma agência de turismo espacial, uma fundação social e atividades como embaixador da ONU. (Foto: César Magalhães/Diário do Pará)
OUTRAS ATIVIDADES
Mesmo com a experiência fora de órbita, Marcos não se deu tempo para ficar com a cabeça na lua, mas sim com os pés no chão. O astronauta se divide em diversas atividades profissionais. Além de palestras e seminários, ele ainda é embaixador da ONU. “Viajamos o mundo apresentando projetos, a maioria na área da Educação. Dizem que sou obcecado por Educação, e é verdade. É a base de tudo”, contou.
Ele ainda possui a agência Marcos Pontes, que realiza turismo espacial e já realizou cerca de 650 viagens, cada uma custando cerca de R$ 250 mil aos visitantes, e a Fundação Astronauta Marcos Pontes, que visa facilitar o acesso de crianças à Educação.
“A Fundação era uma ideia que tive em 1987, mas só foi realizada em 2010. Ela atua por duas linhas: ajudando na divulgação científica, promovendo auxílio para jovens seguirem a carreira de professor e a continuar estudando. A segunda linha é o desenvolvimento sustentável, indo pelo desenvolvimento econômico, social e ambiental da sociedade”, contou.
(Gustavo Dutra/DOL)
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