Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, será inaugurada nesta sexta-feira (7) em Marabá - sudeste do Estado - a Coordenadoria de Proteção aos Direitos da Mulher. Trata-se de mais um órgão – vinculado à Secretaria de Assistência Social da prefeitura – que vai integrar a rede de atendimento às mulheres vítimas de violência na cidade, onde o atendimento por parte da Polícia Civil ainda é precário.
A Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM), que funciona na Folha 10 (Nova Marabá), não consegue atender a maioria dos casos de violência, porque não funciona à noite e tampouco aos finais de semana, justamente quando ocorrem quase todos os casos de brigas domésticas.
Sabe-se extra-oficialmente – que pelo menos três mulheres procuram a Especializada por dia em busca de atendimento. Seriam mais numeroso esse atendimento se a delegacia funcionasse em regime de plantão e não de expediente, como ocorre.
Cerca de 90% das mulheres vítimas de algum tipo de violência por parte dos maridos desistem de levar o caso adiante, porque têm dependência financeira e afetiva do companheiro agressor.
Prova disso é que hoje o Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) de Marabá está atendendo apenas cerca de 20 mulheres vítimas de violência doméstica. A maioria “prefere” viver sob o julgo de um companheiro violento.
CARGOS DE RELEVÂNCIA
A advogada Claudia Chini, que milita há muitos anos na área dos direitos da mulher, observa que um dos grandes problemas que impedem o fortalecimento das políticas públicas de apoio à mulher vítima de violência doméstica é a própria ausência de mulheres ocupando cargos políticos de relevância.
Chini explica que, embora o Brasil seja presidido por uma mulher, na Câmara dos Deputados, no Senado, nas assembléias legislativas e nas câmaras municipais, a participação da mulher ainda é irrisória. Por isso ela entende que os partidos precisam abrir mais espaço para a mulher e esta, por sua vez, tem que lutar por este espaço. (DOL, com informações de Chagas Filho)
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