Nesta segunda-feira (10), o Banco de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário (BSCUP) do Hemopa, primeiro e único da regão Norte do país, disponibilizará a primeira bolsa de sangue de cordão compatível para transplante de medula óssea de um bebê, na cidade de Curitiba (PR). O sangue foi coletado de um doador recém nascido na maternidade da Santa Casa de Misericórdia do Pará, em 2012.
Inaugurado há três anos, atualmente o banco de sangue possui 315 unidades desse material genético no bioarquivo do hemocentro, que tem a capacidade de armazenamento para 3.600 amostras de sangue de cordão umbilical.
Os dados genéticos dos materiais coletado no Pará já fazem parte da lista nacional da Rede BrasilCord, que foi criada pelo Ministério da Saúde (MS) em 2004, para ampliar esse serviço no país e aumentar as chances de quem precisa encontra doador compatível.
De acordo com o Hemopa, hoje, além do Pará, essa rede reúne 12 bancos públicos de sangue de cordão umbilical: quatro em São Paulo (dois na capital, um em Ribeirão Preto e outro em Campinas); Rio de Janeiro; Brasília (DF); Florianópolis (SC); Porto Alegre (RS); Fortaleza (CE); Recife (PE); Curitiba (PR) e Belo Horizonte (MG), que juntos possuem 15.345 unidades de sangue de cordão armazenados. Desse total, 163 já foram identificados e usados para transplantes.
Segundo a responsável pelo banco de sangue do Hemopa, Dra Ana Luiza Langanke Meireles, a Rede Nacional BrasilCord tem o objetivo de coletar sangue umbilical com a maior diversidade possível, para aumentar cada vez mais as chances de encontrar doadores para pacientes que precisam de transplantes de medula óssea. Além de aumentar de 35% para 90% as chances de encontrar doador compatível.
De acordo com uma pesquisa realizada pelo Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), a chance de um brasileiro localizar doador em território nacional é 30 vezes maior em relação à possibilidade de encontrá-lo no exterior, por conta das características genéticas.
“Além disso, o doador ideal (irmão compatível) só está disponível em cerca de 30% das famílias brasileiras – para 70% dos pacientes é necessário identificar um doador alternativo a partir dos registros de doadores e bancos públicos de sangue de cordão umbilical”, explicou a médica, que não esconde a satisfação de ver o primeiro transplante de medula óssea realizado com sangue do banco do Hemopa. “É uma sensação maravilhosa ver que o sangue de cordão umbilical de um bebê aqui do Pará salvará a vida de outro no extremo do Brasil”, ressaltou.
Até 2014, mais quatro bancos de sangue serão criados: Manaus (AM), São Luís (MA), Campo Grande (MS) e Salvador (BA). Para Ana Luiza, com a ampliação da Rede BrasilCord, as chances de transplante para pacientes que não possuem um doador aparentado aumentam consideravelmente, bem como o número de transplantes a serem realizados, salvando ainda mais vidas.
Segundo dados do Ministério da Saúde (MS), em aproximadamente três anos toda a diversidade étnica brasileira deverá ser coberta com cerca de 20 mil amostras. Desse total, 70% serão coletadas nas regiões Sudeste e Sul. O Norte, Nordeste e Centro-Oeste contribuirão com os 30% restantes.
Quem pode participar do programa: gestantes com idade acima de 18 anos e que tenham, no mínimo, duas consultas pré-natais documentadas; idade gestacional igual ou superior a 35 semanas; bolsa rota (rompida) há menos de 18 horas; trabalho de parto sem anormalidades; e ausência de processo infeccioso e/ou doença durante a gestação que possa interferir na vitalidade placentária.
(DOL com informações da Agência Pará)
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