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Igreja vai monitorar BR-316 contra tráfico humano

Além dos trabalhos pastorais que já são desenvolvidos pela Igreja em portos, aeroportos e trapiches, a área da BR-316 em Belém, entre Ananindeua e Benevides, ganhará atenção especial este ano no combate ao tráfico de pessoas. É o que confirmou no últi

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Além dos trabalhos pastorais que já são desenvolvidos pela Igreja em portos, aeroportos e trapiches, a área da BR-316 em Belém, entre Ananindeua e Benevides, ganhará atenção especial este ano no combate ao tráfico de pessoas. É o que confirmou no último sábado o Arcebispo Metropolitano de Belém, Dom Alberto Taveira Corrêa, durante a missa que marcou o início dos trabalhos de mobilização de fiéis para a divulgação do tema da Campanha da Fraternidade (CF) 2014, lançada oficialmente na última Quarta-Feira de Cinzas em todo o Brasil. Neste ano, a campanha irá tratar do tema “Fraternidade e Tráfico Humano”, que tem como lema “É para a liberdade que Cristo nos libertou”. Participaram da missa o arcebispo emérito de Belém, Dom Vicente Zico, e o bispo auxiliar Dom Teodoro Mendes.

“Estatísticas mostram a gravidade do assunto. Por influência dos bispos da Amazônia, ele foi apresentado ao episcopado brasileiro como assunto sério e grave que pede um posicionamento cada vez mais claro e forte da sociedade e da Igreja”, afirmou Dom Taveira, ressaltando a necessidade de ampliar debates e projetos de enfrentamento ao tráfico humano, sobretudo na região amazônica.

Durante a missa, foram encenadas situações semelhantes às que ocorrem no processo do tráfico, em que vítimas são seduzidas por propostas de trabalho fácil e lucrativo fora do país e, depois de enganadas, ficam sujeitas às ameaças dos aliciadores. “Eu não conhecia esta realidade cruel”, comentou na missa Maria das Graças, de 63 anos.

CLANDESTINIDADE

Uma estimativa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta um índice de 20,9 milhões de vítimas desse tipo de crime, que surge de forma clandestina em todo o mundo. A América Latina e o Caribe estão nas estatísticas com pelo menos 1,8 milhão de pessoas. A OIT considera entre os dados os casos, além do tráfico humano, do trabalho forçado e o tráfico para a exploração sexual também.

Dom Taveira disse que a campanha da fraternidade reflete as preocupações da OIT. “Isso tem a ver com a integridade das pessoas: todas as vezes que as pessoas são negociadas como mercadoria, seja para qual for a finalidade. Temos que contribuir para que essa chaga social seja vencida ”.

De acordo com o arcebispo de Belém, os trabalhos pastorais que já são desenvolvidos em torno da temática devem ser ampliados com ações de levantamento de dados de tráfico humano nas rodovias, aeroportos, principalmente, nas ilhas e nos trapiches e portos de navegação. “Este ano, temos uma área missionária que fará um acompanhamento da movimentação na BR-316 a partir de Ananindeua até Benevides”, detalhou.

VIZINHOS NA ROTA

A Campanha da Fraternidade 2014 nasce no rastro da campanha “De olho aberto para não virar escravo”, ação que é monitorada pelo Movimento Nacional pelos Direitos Humanos. O Conselho Episcopal Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se junta, assim, a todos que desejam combater esse tipo de crime contra as pessoas, vitimadas em geral por suas condições de vulnerabilidade social.

Os observadores também se preocupam com rumores de que o Brasil estaria sendo incluído na rota do tráfico para a entrada de pessoas bolivianas e peruanas. De acordo com recente informação da ONU, em publicação sobre drogas e crimes, estima-se que, de 140 mil pessoas, principalmente mulheres traficadas e exploradas sexualmente, 13% são vítimas de origem sul-americana.

A rota do tráfico humano tem muitos destinos, mas revela-se, sobretudo, uma rede internacional. Diversos lugares servem de base ao trabalho criminoso dos aliciadores que levam as vítimas para o exterior, sendo a Espanha o lugar especial para a prática do tráfico, seguida por Itália, Portugal, França, Holanda, Áustria e Suíça.

A Organização Internacional para Imigrações constatou que há crescimento do tráfico de imigrantes na América Latina e Caribe. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulga informações de que o Brasil registra 250 casos de trabalho escravo ao ano e isso é preocupante para a entidade. O Ministério do Trabalho informa que conseguiu resgatar 38 mil trabalhadores vítimas de trabalho em condições indignas no país.

(Diário do Pará)

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