O Pará continua sendo o principal gerador de empregos formais na Região Norte, é o que aponta o balanço feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese-PA). De acordo com o documento, o estado fechou o ano de 2013 com mais de 377 mil empregos gerados com carteira assinada.
Deste total, mais de 105 mil empregos foram gerados na capital paraense. O cenário otimista também vem acompanhado de contradições. A mesma pesquisa revela que ocorreram mais de 101 mil demissões em Belém, o que impacta ainda na renda das famílias paraenses.
Se tratando de distribuição de renda, outra pesquisa divulgada em 2012 pelo Dieese, indica que a maioria dos trabalhadores paraenses, 68,73%, recebe até dois salários mínimos. As maiores remunerações, de 5 a 20 salários mínimos, estão concentrados em apenas 3,92% da população do estado.
O assunto foi debatido na 5ª edição do Dialogando Economia com a Sociedade, promovido pelo Conselho Regional de Economia do Pará (Corecon-PA), na noite desta terça-feira (11), na Casa do Economista. Com o tema “Emprego e renda: os impactos na economia paraense”, o evento contou com a participação do supervisor técnico do Dieese-PA, Roberto Sena, que palestrou para um público formado por acadêmicos de ciências contábeis e economistas profissionais.
Para Roberto Sena, os dados demonstram pontos a favor e contra o Pará. “A visão do Estado no campo do trabalho é a melhor possível. Nunca geramos tantos empregos. Porém o alto número de demissões é uma situação crítica, quero dizer, mais de 50% perdem o emprego com um ano de casa”, avalia Sena. “Nossa população precisa de um Estado com menos diferenças socioeconômicas. O Pará é o 12° colocado entre os Estados com maior riqueza, mas cai para a 22ª colocação quando se trata da distribuição de renda. Precisamos rever este cenário urgentemente”, finaliza.
O presidente do Corecon-PA, Rosivaldo Batista, enfatiza a necessidade debater o tema emprego e renda para o desenvolvimento social e econômico do Pará. "Essa relação entre emprego e renda gera um ciclo virtuoso. O trabalho é importante para o indivíduo garantir o sustento da sua família, através do custeio de bens e serviços. Do ponto de vista da sociedade, uma economia que gera emprego evidentemente reduz os conflitos sociais, gera consumo e estimula o aumento da produção de bens e serviços. Com isso, aumenta também a oferta de empregos e a geração de renda, que vai impactar no PIB do Pará", analisa Rosivaldo Batista.
Panorama
Em comparação aos municípios paraenses, Altamira foi o que teve o maior saldo positivo em relação a postos de trabalho gerados, atingindo 43,18% do total no Estado, seguido de Marabá (13,73%) e Belém (8,8%). Já os municípios de Marituba, Redenção e Castanhal, no entanto, fecharam 2013 com os menores saldos, 1,93%, 2,18% e 2,21%, respectivamente.
(DOL)
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