Pacientes que passaram por transplantes de rim no Pará e precisam fazer uso contínuo de imunodepressores reclamam que estão, desde o Carnaval, sem um dos principais medicamentos. O remédio em falta é o Azatioprina. Os imunodepressores são usados para evitar que o órgão transplantado seja rejeitado pelo organismo que o recebeu.
No Pará, o remédio é distribuído gratuitamente no hospital Ophir Loyola, em Belém, mas desde o dia 28 de fevereiro pacientes têm saído do local de mãos vazias. As informações são de que o medicamento está em falta.
Nas farmácias, o Azatioprina custa cerca de R$ 136 a caixa com 50 comprimidos. Em média, os pacientes precisam de duas caixas por mês, o que torna a despesa alta para quem vive, por exemplo, do salário mínimo. Mesmo nas farmácias populares, o remédio não sai por menos de R$ 14 a caixa com dez comprimidos.
O presidente da Comissão de Saúde da Ordem dos Advogados do Brasil secção Pará (OAB/PA), Sérgio Augusto de Castro Barata Júnior, tem sentido na pele a falta do remédio.
Peregrinando há quase duas semanas pelo Ophir Loyola, ele desembolsou na última terça-feira os R$ 136 para a compra do remédio. O advogado alerta, contudo, para os riscos a que transplantados sem dinheiro para comprar o remédio estão sujeitos.
RISCOS
“Sem os imunodepressores, pacientes podem perder o órgão e, nesse caso, ou voltam para a máquina de hemodiálise – e nós sabemos a dificuldade que é esse serviço no Estado -, ou podem até ir a óbito”, diz Barata Júnior, que pretende fazer um levantamento sobre os pacientes prejudicados com a falta do remédio. “Há pessoas que vêm do interior, pagam passagens, saem de suas cidades e têm que voltar sem o remédio. Queremos saber quantas pessoas deixaram de tomar o remédio e qual a consequência”.
No Ophir Loyola, servidores que não querem se identificar dizem que houve atraso na compra, o que, para o representante da OAB, poderia levar a Ordem a mover ação contra o Estado por crime de responsabilidade. “Precisamos saber primeiro as causas”, diz.
Ontem, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) informou que recebeu o medicamento do fornecedor e que o material será repassado ainda hoje para o Ophir Loyola. Os pacientes dizem, contudo, que a promessa vem sendo repetida desde o Carnaval e, por isso, estão desconfiados. “Torcemos para que seja verdade, mas há certa desconfiança”, diz.
(Diário do Pará)
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