Iniciadas a toque de caixa no final da gestão de Duciomar Costa e mantidas em banho-maria pelo atual governo de Zenaldo Coutinho, as obras foram concebidas para dar uma nova cara ao transporte público de Belém. O projeto, idealizado pelo município deveria ser compatibilizado com o “Ação Metrópole” que é constituído por uma série de investimentos como o prolongamento da avenida João Paulo II, a avenida Independência e ainda a construção do elevado Daniel Berg, inaugurado na gestão passada. A ideia era interligar o sistema de Icoaraci ao Entroncamento, passando por São Brás até o Ver-o-Peso. Outra perna deveria levar os ônibus rápidos até Marituba. Os investimentos são estimados em cerca de R$ 1 bilhão e o projeto exige a reconfiguração de todo o sistema de transporte de Belém já que haverá necessidade de criar linhas alimentadoras dos ônibus articulados que deveriam circular na via expressa com rapidez, segurança e conforto. Tudo isso, contudo, parece ainda um sonho bem distante dos moradores da Região Metropolitana. “O BRT tal como concebido é muito interessante e pode ajudar a criar um sistema mais rápido, desde que seja de fato implantado”, diz o engenheiro Bento Gouveia. Por meio de nota, a Secretaria de Urbanismo do Município de Belém garante a implantação do sistema via expressa que insistem em chamar de BRT está “em andamento”. Para a parte referente a Augusto Montenegro, a etapa atual é de licitação para contratar a empresa que fará o projeto executivo. As informações são de que esse trecho tem extensão de cerca de 13 quilômetros, é o mais complexo e receberá a implantação de um novo sistema de drenagem, “pois o existente já não suporta o crescimento populacional e consequente expansão imobiliária que ocorreu às margens da via nos últimos anos”. “O BRT Augusto Montenegro contemplará canaletas para os ônibus expressos, 29 estações e, ainda, calçadas e ciclovias”, informa o órgão municipal. Em uma previsão otimista, as obras devem ganhar fôlego em 2016, ano de eleições municipais, quando tradicionalmente as inaugurações acontecem. PASSAGEIROS Apesar das placas espalhadas pela avenida Almirante Barroso anunciando que o “BRT agora é para valer”, usuários dos ônibus expressos dizem que o sistema em funcionamento não passa de um arremedo. O professor Ricard Brant está entre os que não poupam críticas. Morador da avenida Presidente Vargas, no centro de Belém, Brant precisa todos os dias de pelo menos seis conduções para ir à Cidade Nova e a Icoaraci onde ministra suas aulas de Espanhol. Tem usado com frequência os ônibus expressos, mas diz que o tempo de viagem reduziu quase nada. A economia de tempo, segundo ele, não supera os dez minutos nos dias de tráfego intenso e fica em torno de cinco minutos aos finais de semana. O professor reclama da baixa frequência dos expressos, da sujeira e da falta de sinalização. “Alguns ônibus trazem sinalização (de que são expressos) na frente e na lateral, mas em outros, a sinalização está apenas na lateral. Já peguei ônibus errado três vezes e, nas três, encontrei outras pessoas na mesma situação”, conta o Brant. A dona de casa Gisele Monteiro classifica o serviço como “horrível”. “O ônibus expresso demora a mesma coisa ou mais que os outros e o tempo que a gente ganha na Almirante Barroso, perde na BR”. Na sexta-feira à tarde, Gisele esperou quase uma hora pelo ônibus na BR-316, acabou desistindo e foi tentar uma alternativa na Augusto Montenegro. “Não tem sinalização, pelo menos no do Aurá que é o que eu pego e a gente nunca sabe que horas passa. Às vezes é de uma em um hora”, queixa-se. |
(Diário do Pará)
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