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Obra roubada há 6 anos é devolvida

Sem a capa original, manchada pela umidade e com marcas de carimbos falsificados. Após seis anos fora do ambiente onde estava preservado, assim foi encontrada uma das 60 obras raras da coleção exclusiva do Museu Paraense Emílio Goeldi, furtada em 2008.

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Sem a capa original, manchada pela umidade e com marcas de carimbos falsificados. Após seis anos fora do ambiente onde estava preservado, assim foi encontrada uma das 60 obras raras da coleção exclusiva do Museu Paraense Emílio Goeldi, furtada em 2008. Trata-se de um livro do século XVII escrito em latim contendo mais de 500 páginas sobre plantas medicinais do México. Ele foi entregue por um delegado da Polícia Federal que ajudou a encontrá-lo. A raridade encontrada este mês em Nova York, nos Estados Unidos, está avaliada em US$ 200 mil.

“Notícias Médicas da Nova Espanha” ou Rerum Medicarum Novae Hispanie fazia parte da coleção de obras raras da Biblioteca Domingos Soares Ferreira Pena quando foi subtraído do acervo paraense. A raridade foi escrita em 1628 e publicada em 1826 pelo médico e botânico espanhol Francisco Hernandez. Ele destinou a elaboração ao antigo rei da época, Dom Felipe II, que vivia doente.

De acordo com o diretor do museu, Nilson Gaba Junior, a obra foi impressa, adquirida pelo museu e atualmente estava no rol das obras raras subtraídas em 2008. “Não tínhamos a estrutura de digitalização que temos hoje de controle de entrada e saída desses livros. Acreditamos que ela foi furtada ao longo do ano”. Para ele, a surpresa onde foi encontrada a obra não foi maior que o achado. “É uma boa notícia a gente conseguir recuperar”, disse. O sistema de digitalização ajuda na localização do acervo e evita o contato físico com as obras raras, preservadas hoje em uma sala cofre.

Delegado da Polícia Federal de Brasília, Adalton de Almeida Martins entregou o livro pessoalmente ao diretor Nilson na tarde de ontem. Ele explicou que a obra foi encontrada no dia 11 deste mês na galeria Swan, em Nova York. Um especialista foi consultado sobre o valor da obra, ele teria desconfiado, e, ao consultar o site da polícia internacional (Interpol), o livro era citado na lista de raridades. Com a ajuda da FBI e da PF, a direção do museu paraense foi comunicada.

Segundo ele, a investigação será feita pela Superintendência Regional da Polícia Federal, uma vez que o furto aconteceu em Belém. Adalton não descarta a possibilidade de o autor do crime ser um especialista. “É uma pessoa que conhece do assunto, de obra de arte valiosa e antiga. E, para que essa comercialização aconteça, é porque já há pessoas interessadas”.

O inquérito que apurava o caso foi concluído e arquivado, agora deverá ser reaberto. “Há suspeitos da ação, mas manteremos em sigilo. Iremos investigar a partir desse se há envolvimento de terceiros, quadrilha e até envolvimento de servidores do museu”, acrescenta Bruno Benassuly, delegado da PF do Pará.

Continuam desaparecidas 59 obras. A partir da identificação do criminoso do livro encontrado nos Estados Unidos, a direção do museu e a polícia cogitam a possibilidade da localização das demais obras dos séculos 17, 18 e 19.

Em estado considerado danificado, o livro deverá passar por uma higienização, em seguida será digitalizado e preservado na sala cofre. “O importante é que as instituições possam investir em segurança e isso dificulta o furto dessas obras”, reforça Adalton, delegado da PF.

(Diário do Pará)

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