O senador Jader Barbalho (PMDB) disse ontem, ao comentar o lançamento do edital de licitação do projeto de derrocamento do Pedral do Lourenço, que sua luta pessoal em defesa desse e de outros projetos, todos com capacidade para dar maior solidez à economia paraense, vai continuar, sem nenhuma trégua e em caráter permanente. “Nós vamos permanecer atentos e vigilantes. Vamos acompanhar o processo licitatório, monitorar toda a fase de execução da obra, que deve durar cerca de dois anos, e ao mesmo tempo cobrar outras providências associadas a esse empreendimento”, acrescentou.
Jader, que na quinta-feira acompanhou como convidado a comitiva presidencial na viagem a Marabá, voltou a declarar que o derrocamento do Pedral do Lourenço é apenas um elo da cadeia de grandes empreendimentos por ele considerados vitais para construir no Pará uma estrutura logística moderna e eficiente, ao mesmo tempo em que deverá criar perspectivas reais de desenvolvimento para o Estado. Para ele, a remoção dos pedrais existentes numa extensa área de corredeiras, ao longo de quase 50 Km do rio Tocantins, é uma obra complementar à das eclusas de Tucuruí, inauguradas no final de 2010 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva às vésperas de deixar o cargo.
O senador lembra, inclusive, que os dois projetos têm outros pontos em comuns, além de comporem um mesmo corredor hidroviário. Ambos tiveram curso atribulado, se viram em diversos momentos envolvidos em polêmicas, sofreram atrasos e só se viabilizaram sob a força de pressões políticas. O caso das eclusas, segundo Jader, é emblemático. Elas deveriam ter sido inauguradas em 1984, quando foi inaugurada a hidrelétrica. Isso, porém, não aconteceu.
No fim da década de 1990, já sob o governo Fernando Henrique Cardoso, os trabalhos foram retomados para acompanhar já com muito atraso para acompanhar, a partir de 1998, as obras civis da segunda etapa da hidrelétrica. Em 2007, foram concluídas as obras definitivas da usina, mas não as das eclusas.
Foi nessa época, porém, já no governo Lula, que se deu um passo decisivo. Até então era o Ministério dos Transportes o responsável pela execução do projeto das eclusas. Tendo percebido que a pasta não tinha dinheiro – e menos ainda vontade – para tocar o projeto, Jader Barbalho decidiu se movimentar, junto ao governo, para mudar esse roteiro. Na modelagem por ele concebida, o projeto das eclusas deixaria o Ministério dos Transportes e passaria para o Ministério de Minas e
Energia.
Foi o que aconteceu. E, não por acaso, a obra acabou ficando sob a responsabilidade direta da Eletronorte. A empresa, afinal responsável pelas obras do setor elétrico, tinha como presidente o engenheiro eletricista Carlos Nascimento, indicado para o cargo exatamente por Jader Barbalho. Em contato com Carlos Nascimento, o hoje senador já havia sido informado de que a estatal só tinha recursos suficientes para cobrir a metade do custo da obra.
Por meio de gestões desenvolvidas junto à Presidência da República, tratando diretamente com o presidente Lula, Jader conseguiu aprovar a inclusão, no orçamento geral da União, da outra metade que faltava. Com isso, o sistema de transposição pôde ser finalmente entregue, o que aconteceu no final de 2010. “Nós conseguimos desenterrar essa autêntica caveira de burro que estava lá havia quase três décadas”, assinala o senador.
Em relação ao Pedral do Lourenço, a história não seguiu um roteiro muito diferente. A existência dos pedrais já era conhecida desde a década de 1950, quando se realizaram na região os primeiros estudos para levantamento e inventário do potencial de geração hídrica. O natural era que o derrocamento se fizesse, pois, simultaneamente com as obras de construção da hidrelétrica e do sistema de transposição da barragem.
As eclusas só foram entregues 26 anos depois, a um custo final estimado em cerca de R$ 1,6 bilhão, mas permanecem até hoje ociosas e praticamente inúteis por causa das restrições à navegação no trecho do rio Tocantins conhecido como Pedral do Lourenço. Conforme frisou esta semana o senador Jader Barbalho, o absurdo da situação lhe foi apresentado, num encontro casual, pelo atual presidente da Associação Comercial do Pará, Sérgio Bitar.
(Diário do Pará)
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