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Celpa,Yamada e Oi lideram ranking negativo

Serviços essenciais prestados ao consumidor durante o ano de 2013, como o fornecimento de energia elétrica, de abastecimento e de telefonia, geraram uma enxurrada de reclamações que entraram em um cadastro elaborado pela diretoria de Proteção e Defesa

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Serviços essenciais prestados ao consumidor durante o ano de 2013, como o fornecimento de energia elétrica, de abastecimento e de telefonia, geraram uma enxurrada de reclamações que entraram em um cadastro elaborado pela diretoria de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon). No ranking, que listou as 38 prestadoras de serviço que mais originaram queixas em 2013, a Rede Celpa ocupou o primeiro lugar de reclamações, com 159 fundamentadas. Em segunda posição ficou a rede de supermercados do Grupo Y. Yamada, com 111 reclamações, e em terceira posição, com 99 queixas fundamentadas, a Oi/Telemar, liderando entre as operadoras de telefonia celular e internet.

Cobranças indevidas e abusivas foram as mais listadas no ranking, deixando em segundo plano as garantias e dúvidas sobre cobrança, e ainda em terceira posição o valor, reajuste, contrato e orçamento. Essas queixas pontuaram a maioria das ações contra Celpa e Oi. A concessionária de energia elétrica teve contra si 113 reclamações por cobrança indevida e/ou abusiva das faturas. Clientes que pagavam mensalmente um determinado valor na conta e que de uma hora para outra se depararam com um aumento absurdo.

Foi o caso da auxiliar de consultório Maria das Graças, que se surpreendeu com a conta de energia no valor de R$267 que chegou à sua casa referente ao mês de julho. Acostumada a pagar de R$15 a R$20 pela energia, a consumidora estranhou a cobrança muito além da média. “Como pôde vir um valor tão alto desse? Eu não consumi isso tudo. Eu não estava nem em casa nesse período”.

Cumprindo a orientação básica dos órgãos de defesa do consumidor, Maria das Graças entrou primeiro em contato com a Celpa para esclarecer o fato, porém até o momento não teria conseguido resolver o problema. “Eu liguei para a Celpa e expliquei tudo, mas a moça só me disse que esse valor era porque tava acumulado lá no nome da minha unidade consumidora”, surpreende-se. “Acontece que eu nunca deixei de pagar a conta, como vai ter alguma coisa acumulada? Eu não vou pagar por uma coisa que eu não consumi”, declarou, enquanto agilizava sua reclamação no Procon.

A Yamada, por outro lado, acumula dezenas de queixas por não dar garantia satisfatória e cobertura plena dos produtos que comercializa. Só aí, do total de 99 reclamações, 42 clientes do grupo procuraram o Procon buscando seus direitos após terem tido problemas com algum produto adquirido em uma das lojas. Outro dado que chama a atenção no cadastro de reclamação fundamentada do Procon, feito de janeiro a dezembro de 2013, é a quantidade de produtos com vício gerando reclamações: 29 no total.

SEM INTERNET

Os moradores do residencial Mário Covas, em Ananindeua, estão sem acesso à internet e telefone dos serviços disponibilizados pela operadora Oi desde a última segunda-feira (17). Segundo moradores, um caminhão entrou no residencial e quebrou a fiação, porém, mesmo depois de vários pedidos de restabelecimento do serviço à prestadora, o problema ainda não foi solucionado.

O servidor público Reginaldo Couto, que mora no residencial, disse que a empresa já era negligente quanto à manutenção da fiação que estava baixa e acabou sendo rompida com a passagem do caminhão. “Na hora do acidente, explodiu um transformador e nós ficamos sem luz e telefone e sem internet. Porém, duas horas depois a luz voltou e nós ficamos sem os serviços da Oi até agora”, explica Reginaldo.

Reginaldo diz ter acionado a assistência técnica para resolver, mas desde então a empresa só amplia o prazo para resolver a situação deixando os consumidores sem previsão de quando terão o serviço novamente. “No dia disseram que resolveriam em 24 horas, depois saltou para 48 e agora já disseram que só no dia 28 de março”, explica o servidor.

Em nota, a assessoria de comunicação da empresa Oi informa que um acidente causado por terceiros rompeu cabos telefônicos da companhia, e acrescenta que enviará equipes técnicas ao local para realizar os reparos necessários o mais breve possível.

Isenta foi “surpreendida”

Diariamente, cerca de 150 pessoas acionam o Procon para reaverem seu direitos. Desse montante, 80% são de cobranças indevidas. A doméstica Nilda Santos, de 57 anos, moradora do bairro de Águas Lindas, é isenta de fazer o pagamento da conta de luz, atendendo ao critério de baixa renda, mas não escapou das cobranças da prestadora de energia.

“Desde 2012, começaram a chegar os papéis da conta de luz no valor de 30 reais, em média. Eu fiquei surpresa porque aqui ninguém paga a conta de luz. A maioria possui baixa renda. Mesmo assim, fiz todos os pagamentos. Quando começaram as contas acima de 100 reais, ficou difícil para eu continuar pagando. Eu e meu marido trabalhamos o dia todo e não tem consumo durante o dia, já que ninguém fica em casa. Agora me deparei com uma fatura de 800 reais. Isso é um absurdo”, reclamou.

Procon diz que multas têm surtido efeito necessário

Para o diretor do Procon, Raimundo Sabá Neto, a aplicação de multas aos fornecedores de serviço tem surtido efeito na diminuição de processos burocráticos. “Dos mais de três mil atendimentos feitos de cobranças abusivas sobre a Rede Celpa, 159 se tornaram processos, que possuem algumas fases que chegam a custar de três a seis meses para serem finalizados”, explicou.

“O ranking é um termômetro para consumidores ficarem atentos aos serviços insipientes prestados pelas empresas. A partir dele fornecedores são notificados por meio de uma carta preliminar de informação (Cipi) e caso não possuam uma proposta, o Procon lhes confere sanções, em forma de multas que podem chegar a uma valor de R$ 2.490 reais”, disse o diretor.

(Diário do Pará)

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