As obras de ampliação da avenida João Paulo II visam melhorar os problemas de trânsito para a entrada e saída de veículos em Belém. Porém, na mesma proporção, a construção tem causado preocupação e problemas aos moradores dos bairros que abrangem toda a extensão da avenida. Eles denunciam os impactos ambientais causados aos mananciais que abastecem Belém, os lagos Bolonha e Água Preta, além da falta de saneamento e desapropriação indevida das famílias remanejadas. Na manhã do sábado (22), o Fórum dos Lagos reuniu moradores do bairro do Castanheira, Pedreirinha, Águas Lindas, Curió-Utinga, Souza e Guanabara. Lá, eles apresentaram uma carta com demandas destinadas ao Governo do Estado, responsável pela obra. Cientes do direito a saneamento básico, moradia digna e água de qualidade, os moradores dos bairros afetados cobram do governo uma solução aos problemas causados pela obra da João Paulo II.
“Não somos contra a obra. Queremos deixar isso claro porque sabemos que a mobilidade urbana também é um direito nosso. Mas, o que queremos é transparência do governo na elaboração dessa obra, pois sabemos, através da comissão de meio ambiente da OAB, que não houve um estudo de impacto social e ambiental”, disse Ribamar Froez, membro da Associação de Moradores do bairro do Castanheira (AMBC).
“Com a realização dessa obra, outras situações de cunho socioambiental ficam a desejar, como a ausência de um plano de esgotamento sanitário, de asfaltamento para as ruas dos bairros e de equipamentos de saúde nas áreas atingidas pela ampliação da João Paulo II. E ainda tem a arbitrariedade de representante do governo, que negociam com os moradores o desalojamento das casas que terão que sair por causa da obra sem sequer discutir o valor com os proprietários”, diz Raimundo Almeida, presidente da AMBC.
Na reunião, os moradores também deixaram claro a preocupação ambiental, sobretudo, com o Parque Ambiental do Utinga, onde trecho da flora tem sido devastada pela ampliação da avenida, atingido os mananciais Bolonha e Água Preta, que abastecem Belém. Além disso, de acordo com moradores, olhos d’água têm sido cobertos pela raspagem feitas pelas máquinas. “Hoje [sábado] é o Dia Mundial da Água, que é um direito nosso, mas que tem sido desrespeitado pelo Governo do Estado com a realização dessa obra. Os mananciais que abastecem Belém estão sendo atingidos, e os olhos d’água que existem estão sendo destruídos”, declarou José Oeiras, presidente do Conselho de Ananindeua.
O outro lado
A Companhia de Saneamento do Pará diz que solicitou pauta para apresentar o projeto e encaminhar deliberações sobre a construção de um Sistema de Esgotamento Sanitário e Abastecimento de Água para os bairros do entorno em reunião do conselho do Parque do Utinga, no mês passado.
A Cosanpa diz que a João Paulo II será condutora e coletora do sistema, que contemplará os bairros da Castanheira, Cabanagem e Pedreirinha, fazendo o tratamento dos lençóis freáticos que deságuam no parque e que hoje estão carreando também esgoto, lançado pela população do entorno do Parque do Utinga.
A assessoria do Ação Metrópole, responsável pelas obras de prolongamento da João Paulo II, foi procurada pela reportagem ainda na sexta-feira, mas não encaminhou nenhum posicionamento até o fechamento desta edição.
(Diário do Pará)
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