Seis anos após o remanejamento de parte das famílias de uma ocupação irregular da avenida Perimetral, em Belém, por conta das obras de duplicação da via, moradores que ainda esperam o auxílio moradia estão insatisfeitos com a falta de diálogo da Companhia de Habitação do Pará (Cohab), responsável pelo remanejamento das famílias, e da Secretaria de Estado de Integração Regional, Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Seidurb), executora da obra. Eles alegam que desconhecem o projeto da construção do residencial “Liberdade”, para onde serão remanejados após a conclusão das obras da Perimetral.
Descontentes, os próprios moradores organizaram uma comissão com 16 integrantes para discutirem com a comunidade e esclarecerem as consequências da obra. Para isso, cerca de 60 pessoas se reuniram, no último sábado, em uma assembleia popular na Escola Parque Amazônia, no bairro da Terra Firme, em Belém.
“A ideia é propor a todos os moradores dos bairros do Guamá, Terra Firme e Marco, que serão afetados pela obra a pensarem sobre o projeto que está sendo feito sem a fiscalização da comunidade. Como vamos nos mudar para um apartamento e não sabemos se ele irá comportar a família inteira? Ou para quem optar pela indenização, como saberá se o valor pago será justo? Como não temos títulos de terra, certamente o valor da indenização será irrisório, abaixo do mercado. Todos esses pontos levantados pela comunidade estão sem resposta”, disse a secretária da Comissão de Acompanhamento da Obra (Cao), Joelma Cerqueira.
“Desde janeiro foi protocolado uma audiência com a Cohab, mas não obtivemos resposta, caso a Seidurb e a Cohab não mostrem posicionamento nenhum, iremos acionar o Ministério Público do Estado do Pará (MPE) para tentarmos buscar um esclarecimento com relação a questões pontuais referentes ao remanejamento e indenizações”, disse Cerqueira.
O presidente da Cao Augustinho Davi disse que a Seidurb convocou uma audiência, em Janeiro, quando a obra do residencial já estava em execução. “Além disso, não se delongaram em mostrar todo o projeto, não explicaram sobre as condições de acessibilidade, se eles têm um planejamento para o deslocamento de idosos e deficientes físicos. Será que eles têm um controle social? Desde então, mandamos ofício para a Cohab para pedir explanação do projeto, mas ficamos sem retorno deles. Sabemos que é uma obra eleitoreira, porque tiveram três anos para fazer isso e porque só agora, às vésperas da eleição, estão como loucos trabalhando dia e noite?”, questionou Davi.
Segundo moradores, as pessoas que foram retiradas da frente da Universidade Federal do Pará (UFPA), há seis anos, na primeira etapa, ainda sobrevivem do aluguel social, no valor de R$ 400. Até hoje esperam ser remanejadas.
Procuradas pelo DIÁRIO, a Seidurb e a Cohab não se manifestaram sobre a reunião e as denúncias.
(Diário do Pará)
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