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Pacientes são amarrados em cadeiras no HC

Servidores do Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, referência no atendimento biopsicossocial em Belém, protestaram ontem contra as condições de trabalho a que são expostos. Funcionários da ala psiquiátrica denunciam a desvalorização de servidores e a de

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Servidores do Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, referência no atendimento biopsicossocial em Belém, protestaram ontem contra as condições de trabalho a que são expostos. Funcionários da ala psiquiátrica denunciam a desvalorização de servidores e a degradação do ser humano no atendimento ou na falta dele. A emergência psiquiátrica, composta por um quantitativo de 70 pessoas, não suporta a elevada demanda de pacientes que são encaminhados de todo o Estado do Pará.

Mais de 100 pessoas passam por aquele setor diariamente procurando diversos atendimentos. Pacientes de diferentes perfis de complexidade clínica são encaminhados para o hospital.

Em média, 60 pessoas, entre pacientes e acompanhantes, ficam instalados de maneira sub-humana em uma sala. A equipe de reportagem do DIÁRIO teve acesso a imagens de pacientes amarrados a poltronas, aguardando a liberação de leitos, em condições sub-humanas. A direção chegou a comprar cadeiras reclináveis, como medida paliativa.

“Eles não passam por nenhuma triagem e ficam dessa maneira. São diversas as complexidades clínicas desses pacientes. Muitos são usuários de drogas, esquizofrênicos e há aqueles oriundos do Sistema Penitenciário do Estado do Pará, da Fasepa (Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará) e os menores infratores, todos ocupando o mesmo espaço”, afirmou e enfermeira Selma Frota.

“Precisamos de um mínimo de infraestrutura para termos condições de trabalho digno, tanto para conseguirmos desempenhar nossa função da maneira que deve ser como para prestar o serviço para a sociedade. Reivindicamos um valor justo de pagamento de plantão extra que não é pago da mesma forma para as diferentes categorias, incorrendo em desvalorização da mesma; exigimos o pagamento da Gratificação de Desempenho Institucional que deveria ser paga em janeiro, mas adiaram para abril e não convocaram a categoria para debater sobre esses pontos”, enumerou o técnico de enfermagem Marcelo Miranda.

“Além disso, precisamos de climatização, fator que implica diretamente no bem estar de pacientes psiquiátricos e seus familiares. Os aparelhos de ar condicionado foram instalados há mais de um ano e não funcionam e os pacientes ficam com insônia; não temos informatização. Sem computadores ficamos impedidos de fazer o controle de pacientes e de fazer solicitação de medicamentos. O setor sofre com o sucateamento e abandono”, detalhou a enfermeira Selma Frota.

A enfermeira Selma Frota afirmou ainda que “é deficiente a rede de acompanhamento a pacientes com transtornos mentais. Se os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) tivessem acompanhamento e infraestrutura eficientes, muitos casos não chegariam até o hospital intensificando a demanda de pacientes para o pequeno quantitativo de leitos e funcionários”.

Servidores da ala de nutrição também protestaram contra a falta de abastecimento de itens essenciais para o funcionamento do setor. “Nós somos obrigados a fazer coleta para utilização geral. Colher, faca, jarra, às vezes, bandejas. Outra questão é a falta de descanso. Quando estamos nos plantões extras, temos que utilizar a sala da chefia como dormitórios, pois não temos um local para isso. São três equipes de quatro funcionários e à noite não temos onde nos acomodar”, informou uma servidora que preferiu o anonimato.

SEM SOLUÇÃO

Depois de uma hora e meia de reunião entre a diretoria e os mais de 80 funcionários de diversas áreas do hospital, os servidores saíram insatisfeitos porque não houve nenhuma proposta de melhoria de trabalho. “Foi finalizada inesperadamente a reunião, pois a diretoria estava exaltada com as reivindicações dos servidores e terminaram sem apontar nenhuma proposta para as categorias envolvidas”, relatou o técnico de enfermagem Marcelo Miranda. Os servidores avisaram que podem deflagrar greve caso não sejam atendidos em suas reivindicações.

Direção diz que leitos são insuficientes

Sobre o protesto dos servidores e as imagens mostrando o atendimento no setor psiquiátrico, a direção da Fundação Hospital de Clinicas Gaspar Vianna informou, em nota, que : "A Gratificação de Desempenho Institucional (GDI) de janeiro foi paga dentro do próprio mês. A GDI de abril será paga em folha conforme determinação disposta no no Decreto 954/24.01.2014, que em seu texto diz "ficar vedada a realização de despesa com pessoal fora do Sistema de Folha de Pagamento do Estado, gerenciado pela Sead". Por conseguinte, o pagamento da GDI não sofreu atraso, mas sim foi ajustado à determinação superior, sendo que o pagamento será feito da mesma forma nos meses de abril, julho e outubro".

A nota diz ainda que foram adquiridos splits necessários para a climatização do setor psiquiátrico do hospital, mas os mesmos ainda não foram instalados na sua totalidade pela necessidade de mudança na rede elétrica das áreas atendidas.

"A FCHGV é a única instituição de saúde do Estado do Pará que mantém serviço de atendimento psiquiátrico ininterrupto, pelo SUS, em regime de 24 horas. Consequentemente, existe um grande número de atendimentos e superlotação do setor", informou.

A direção informa ainda que, apesar da grande demanda de pacientes em situação de urgência, as equipes assistenciais são altamente capacitadas e comprometidas para prestar atendimento especializado e humanizado. "Diariamente, há um número de pacientes maior que o número de leitos, o que determina o acolhimento inicial dos pacientes em poltronas. Na assistência em saúde mental, a contenção mecânica é utilizada inicialmente para evitar que pacientes extremamente agitados coloquem em risco a sua própria integridade física e a de terceiros. Entretanto, essa contenção é feita obedecendo a princípios técnicos bem estabelecidos, e a equipe assistencial da FHCGV é capacitada para a execução de tais procedimentos, até que os medicamentos façam efeito", completou.

(Diário do Pará)

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