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Pacientes com câncer precisam esperar atendimento

A Aids pode ter sido o mal do século 20, mas tudo indica que o câncer já é o mal do século 21. E no que depender do tratamento dispensado pela Saúde Pública do Estado, quem padece ou vier a padecer das mais diversas neoplasias existentes, a jornada ser

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A Aids pode ter sido o mal do século 20, mas tudo indica que o câncer já é o mal do século 21. E no que depender do tratamento dispensado pela Saúde Pública do Estado, quem padece ou vier a padecer das mais diversas neoplasias existentes, a jornada será bem mais sacrificante do que de costume. Isso porque o Hospital Ophir Loyola (HOL), referência no tratamento oncológico em todo o Pará em todos os aspectos chegou a tal ponto que hoje manda pacientes de volta para casa depois de dezenas de horas de espera por falta de leito ou por falta de médico para dar conta da demanda. E se na capital é assim, impossível não temer pela situação nos hospitais regionais.

Uma equipe de reportagem da RBATV, com uma câmera de celular, esteve no HOL há poucos dias para acompanhar o dia a dia de quem precisa ser atendido ali. De corredor em corredor, a sensação de Déjà Vu é constante, já que as cenas se repetem uma a uma, mudando apenas os protagonistas. “E a gente, que está aqui desde cedo, por que o médico não atendeu? É uma falta de respeito tanto do profissional quanto da diretoria com o paciente!”, brada uma senhora próximo aos consultórios.

Cadeiras, macas, poltronas e bancos abrigam pacientes e acompanhantes, fica até difícil dizer quem é quem. Amontoados, eles aguardam dias por um atendimento que não chega. Nos corredores semiabertos, onde o trânsito é constante e desordenado, equipamentos encaixotados, aparentemente novos e sem uso. Uma jovem portadora de leucemia fez uma maca do setor de triagem virar leito e ficou três dias à espera de uma consulta que viabilizasse a internação na hematologia para que seu tratamento continuasse. A sobrecarga é tão grande que a médica teve que despachar metade dos pacientes para vir no outro dia.

“Sendo que a gente já chega cansado aqui, sendo que tem gente que acorda às 3h, 4h da manhã para estar aqui e aí chega e é dispensado porque a médica não está suportando a demanda”, relatou a paciente, que tinha o apoio da mãe do lado o tempo todo. “Não sei bem, mas parece que o médico aqui tem que atender de 11 a 12 pessoas por dia, e a minha médica estava atendendo o dobro”, denuncia a jovem, que há três anos convive com a doença e agora está mudando de médica porque a anterior, que lhe atendia pelo HOL, pediu demissão.

“Eu sofro demais com ela assim, e ela só consegue o atendimento porque a gente dá uma de doida mesmo”, confessa a mãe. “E são poucos os que tratam a gente com respeito e educação”, lamenta a paciente, que voltou para casa no terceiro dia e recebeu a recomendação de voltar no dia seguinte. No retorno são mais quatro horas de espera em uma cadeira desconfortável até a médica lhe atender. Nesse meio tempo, a reportagem flagra uma senhora paraplégica em uma maca quase ao lado da lanchonete. “Aqui falta muita coisa. Tem muito pouco maqueiro, quando venho para cá chego a esperar até meia hora para que alguém me carregue e ponha em uma maca. Ou fico gritando pedindo para alguém ir lá ou quem está comigo me carrega”, relatou, sem deixar de contar que sua espera por atendimento já durava 18 horas.

Voltando à saga da jovem portadora de leucemia, ela, visivelmente debilitada pela nova espera, não esconde a tristeza, já em plena consulta, ao ouvir que todos os 12 leitos para internação estão ocupados. A mãe não aguenta e faz um apelo desesperado, diz que não sabe mais o que fazer ao ver a filha ‘amofinar’ daquele jeito. A médica então diz que entrará em contato com a assistente social para tentar agilizar a internação. “O pior é que é verdade, eu já fui lá e sei que não tem vaga mesmo”, conforma-se a mãe.

RESPOSTA

Em nota, o HOL informou “sobre a estrutura da Unidade de Atendimento Imediato (UAI), que já possui projeto de reforma a fim de otimizar fluxos, melhorar a operacionalização dos serviços, proporcionar mais qualidade dos atendimentos, garantindo o processo de humanização. (...) O projeto está em fase final de liberação de recursos, o HOL espera obter dotação orçamentária em 20 dias para iniciar processo licitatório”. Sobre os equipamentos encaixotados, “a assessoria de planejamento físico do hospital informa que serão utilizados na obra da nova ressonância magnética e iodoterapia, já em processos licitatórios da Secretaria de Obras do Estado”.

(Diário do Pará)

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