Ciente da interdição da ponte que corta o rio Moju desde a noite do último domingo, a comerciante Alcilene Farias resolveu arriscar, na manhã de ontem.
Informada pela televisão que duas balsas seriam disponibilizadas para os motoristas que precisassem atravessar do município de Abaetetuba em direção a Moju, ela tomou o ônibus de madrugada, porém, as dificuldades iniciaram ainda distante do início da ponte com a fila de cerca de três quilômetros de carros e caminhões que aguardavam por travessia ao longo da Alça Viária. “Eu pensei que estava tudo certo. Se eu soubesse que tava essa agonia, eu nem tinha vindo”.
Com o acesso às balsas feito unicamente por um desvio ao lado do início da ponte quebrada, ainda pelo município de Abaetetuba, o lamaçal formado pelas marcas dos pneus dos caminhões dificultava ainda mais o trânsito de veículos no local.
Se no dia anterior, quando a travessia ainda era feita exclusivamente por barcos e lanchas, os ônibus intermunicipais deixavam os passageiros na beira do rio, na manhã de ontem eles não paravam antes de três quilômetros de distância da ponte quebrada com a colisão de uma balsa transportadora de óleo.
“O ônibus só vai até a metade do caminho porque tá essa fila enorme de carro aí. A gente que teve que descer e ainda vir andando para tentar pegar a balsa”, lembrava, com os filhos Kamille e Felipe, de dois e oito anos, já reclamando do calor excessivo. “Tá muito difícil, viu? A gente quase escorrega nessa lama aí. E quando cheguei aqui ainda tive que esperar a próxima balsa porque essa que vai agora só vai levando caminhão que oferece risco (transportadores de combustíveis e óleos vegetais)”.
Organizado apenas por dois funcionários da Agência de Regulação e Controle de Serviços Públicos (Arcon – PA), o embarque era realizado em meio à confusão de carros e caminhões que tentavam manobrar em meio à lama da beira do rio. Sem que a pouca quantidade de barcos que faziam a travessia das pessoas, já com o oferecimento de coletes salva vidas, fosse suficiente, os que seguiam a pé disputavam espaço com os veículos nas balsas.
No local desde domingo, o Corpo de Bombeiros garantia que nenhuma pessoa ou veículo acessasse a ponte quebrada. “Nós estamos mais controlando o tráfego para ninguém ir para a ponte porque está muito arriscado. A defesa civil está vindo de Belém e vai montar uma barraca para que os Bombeiros possam ficar aqui 24 horas”, informou o sub-tenente Carlos Francisco, ao contabilizar a atuação de quatro bombeiros na ‘cabeceira’ da ponte. “Também estamos trabalhando com uma lancha no rio para prevenir que os barcos se aproximem da ponte porque ela pode oferecer risco aos barcos que passam ao lado”.
Tentando controlar a confusão causada pelos veículos que insistiam em ultrapassar a fila de carros estacionados pela contramão para chegar à ‘cabeceira’ da ponte mais rapidamente, a Polícia Rodoviária Estadual (PRE) contabilizava um congestionamento de aproximadamente três quilômetros na pista já asfaltada.
Leia a matéria completa na Edição do Diário do Pará
(Diário do Pará)
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