A agricultura e a pecuária devem ser os principais setores da economia do Pará a sofrer prejuízos com a queda da ponte sobre o rio Moju, na Alça Viária. Isto porque a maior parte da produção – principalmente de carne e boi vivo - é escoada pela rodovia PA-150, passando pela Alça Viária até chegar aos portos de Vila do Conde e de Outeiro.
Com a interrupção do tráfego na ponte, o escoamento só pode ser feito por um desvio pela BR-222 – o que aumenta a viagem em 220 quilômetros e, consequentemente, torna o valor do frete mais caro – ou então por balsas na travessia do rio Moju.
Esta segunda alternativa, ontem, não representou uma solução muito prática, uma vez que o número de balsas é pequeno para atravessar os veículos que antes cruzavam a ponte.
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), Carlos Xavier, ressalta que, devido ao acidente, o processo de escoamento da produção deverá sofrer um retrocesso e será feito da mesma forma que no passado, antes da ponte ser construída. No entanto, é preciso atentar que a produção aumentou ao longo dos últimos anos e somente duas balsas fazendo a travessia no rio Moju não é suficiente para atender a demanda.
“É preciso encontrar uma solução a curto prazo. São duas balsas fazendo a travessia, mas hoje (ontem) se formou um engarrafamento. Além disso, as rampas não têm uma estrutura adequada”, comentou.
EXPORTAÇÃO
Atualmente, o Pará é responsável por 95% da exportação de boi vivo do Brasil e a maior parte da carne bovina vem da região Sul do Estado. “É uma atividade econômica que representa cerca de R$ 1 bilhão ao ano”, enumerou o presidente da Faepa.
Para o presidente em exercício da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), Gualter Leitão, o setor metalúrgico não deverá sofrer prejuízos com o acidente, mas a agroindústria já começou a sentir os impactos negativos da falta da ponte sobre o rio Moju.
Leitão acredita que a economia do Estado terá bastante impacto com as dificuldades de transporte e deslocamento da produção. “A maioria da carne que o Estado exporta vem pela PA-150”, reforçou.
Ele também atenta que o desvio por outras rodovias vai aumentar a distância do transporte e, consequentemente, resultar no aumento do frete. “Outro problema será no varejo (produtos alimentícios e hortifrúti) que poderá sofrer um aumento para o consumidor”, acrescenta.
Nenhuma das duas federações arriscou alguma estimativa de quanto, em reais, poderá ser os prejuízos na economia do Estado. Todavia, ambos esperam soluções e alternativas imediatas. “A reconstrução ou restauração da ponte não vai levar seis meses, pode ser mais tempo”, finaliza Gualter Leitão.
(Diário do Pará)
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