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Insegurança preocupa famílias de presos

Ainda que ocorrido no início deste mês, o último homicídio praticado dentro do Presídio Estadual Metropolitano 1 (PEM 1), no Complexo Penitenciário de Marituba, tem preocupado familiares de internos que estão sob custódia do Sistema Carcerário do Estad

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Ainda que ocorrido no início deste mês, o último homicídio praticado dentro do Presídio Estadual Metropolitano 1 (PEM 1), no Complexo Penitenciário de Marituba, tem preocupado familiares de internos que estão sob custódia do Sistema Carcerário do Estado. Registrado através de celular, o vídeo mostra não apenas a atuação de um homem que aplica várias estocadas na vítima, como também a ausência de qualquer interrupção ao ato criminoso praticado no espaço controlado pelo próprio poder público. “Seguros a gente sabe que eles não estão”, constata, de pronto, a esposa de um interno do PEM 1.

Assustada diante da primeira possibilidade de identificação e com medo de sofrer represálias, a mulher que esteve no local na manhã de ontem para solicitar a certidão carcerária do marido prefere ocultar o próprio nome. Sob o anonimato, porém, ela não titubeia ao desabafar sobre a preocupação com a segurança do marido que permanece em cárcere. “Ninguém fica tranquilo tendo um parente preso porque eles não estão seguros aí dentro. Se eles estão aí dentro, é porque fizeram alguma coisa errada, mas não é porque estão aí que têm que passar por essas situações”, acredita, sem esconder a indignação causada pelas condições em que o crime aconteceu, dentro do presídio. “Falta competência de quem trabalha aí e do próprio governo para não deixar isso acontecer. Essa não foi a primeira morte que aconteceu aí, já é a terceira”.

Prestes a ultrapassar o portão de acesso ao Centro de Recuperação localizado no município de Marituba, o desabafo sobre as condições enfrentadas pelos presos é contado sem que o semblante preocupado seja dissipado do rosto. “Toda vez que tem uma notícia dessa (como a divulgação do vídeo), a gente fica com o coração a mil. Eles já estão aí em celas cheias, sem condições e ainda têm que passar por isso?”, lamenta. “E, quando isso acontece, eles ainda têm que avisar logo a família. Às vezes demoram para avisar. Eles estão aí, mas têm família”.

Pensando exatamente na família mantida pelos internos do lado de fora do cárcere, Eliane Souza (nome fictício) ainda se horrorizava com a descrição do vídeo. Também com o marido preso, ela ainda não teve coragem de assistir às imagens. “Meu marido disse que foi horrível isso (o assassinato filmado pelo celular) mesmo. Foram várias pessoas em cima de um só”, comentava discretamente, minutos depois de sair do centro de recuperação. “Eu não quis nem ver esse vídeo. A gente já fica preocupada.”

Certa de que a segurança não impera absoluta mesmo dentro do espaço de atuação do órgão do sistema de segurança pública, Laiane Santos (nome fictício) tenta aconselhar o marido. “Eu fico preocupada porque eu sei que seguro ele não tá, mesmo aí dentro. As mães são as que mais sofrem. Imagina como uma mãe não vai ficar vendo um vídeo desse aí? É horrível”, preocupava-se. “Eu tento sempre aconselhar para ele (marido) não se meter em confusão aí dentro, para ter cuidado porque não é porque tá aí dentro que tá seguro. Deixar uma coisa dessa acontecer como aconteceu aí nesse vídeo é uma falha muito grande. Tinha que dar um jeito nisso”.

(Diário do Pará)

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