Um congestionamento de quase quatro quilômetros separa a jovem Diona Oliveira da possibilidade de conseguir continuar o seu caminho para Tucuruí, cidade onde mora. Com a filha de 11 meses no colo, ela esperava em uma imensa fila que dava acesso às únicas duas balsas que fazem o acesso de Abaetetuba para Moju, depois que a ponte que ligava as localidades se rompeu com o choque de uma balsa na noite do último domingo, na Alça Viária.
Nas filas enormes que se formaram dos dois lados tantos carros particulares de pequeno porte até grandes caminhões de carga estavam na mesma situação, tendo que contar com a paciência para poder chegar ao seu destino. O motorista Wanderley Gomes, que estava dirigindo um caminhão com botijões de gás, aguardava há 24 horas pelo momento em que conseguiria fazer a travessia. “O embarque é muito lento e são poucas balsas para atravessar todo mundo. Com certeza, se eu tivesse pego uma rota alternativa, teria chegado mais rápido ao meu destino. Normalmente de Abaetetuba até Moju eu levava 40 minutos e agora estou há mais de 24 horas aqui”.
FILA
Na longa fila, a confusão piorava com carros que tentavam se aproveitar e ultrapassar pela contramão. Faltaram policiamento e fiscalização para organizar os veículos. Uma empresa de construção civil tentava improvisar um asfalto próximo ao local de travessia das balsas, onde até então havia muita lama, e a confusão ficava ainda maior.
Segundo o chefe de operações da Departamento Municipal de Trânsito (Demutran) de Moju, João Paulo Andrade, cada travessia levava em média uma hora. “O que demora mais é lotar as balsas, demora uma média de 45 minutos, mas a travessia é até rápida”, disse.
Os passageiros também esperavam no sol aguardando o momento em que poderiam atravessar. “Deveria ter mais balsas. Desse jeito fica difícil. Estou esperando tem mais de hora aqui no sol para poder conseguir pegar uma balsa”, disse o carregador Antônio Carlos Santos.
Em Moju, o cenário não era diferente. Enormes filas de caminhões, ônibus e carros menores se formavam por diversas ruas da cidade à espera do momento de atravessar. O motorista Ranisson França esperava na fila em Moju desde as 8h da manhã de terça-feira. “Estou vindo de Breu Branco levando sebo”, disse.
Na tentativa de resolver a situação, a prefeitura tentava recuperar rampas para aumentar o número de balsas para travessia. “A prefeitura está investindo para tentar fazer novas rampas e liberando as que já existem para conseguir dar mais acesso à população”, esclareceu Francisco, subtenente do Corpo de Bombeiros de Abaetetuba. Alguns moradores do local improvisaram barcos menores para a travessia da população e estavam cobrando R$ 2 por pessoa.
A dona de casa Cleucima Cruz mora em Igarapé-Miri e não quis esperar a balsa para atravessar. “Demora muito a balsa e achei melhor pagar para não ter que esperar”.
O gerente de operações Alisson Souza, do Departamento de Trânsito do Pará (Detran), chegou à tarde ao local e disse que o órgão estará de plantão 24 horas para organizar o trânsito. “Quem puder evitar o acesso ao local ou puder pegar rotas alternativas deve seguir na BR-316 até Castanhal e depois pegar a BR-010”, informou Alisson Souza.
(Diário do Pará)
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