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Chuva alaga rua em Icoaraci e revolta moradores

Moradores da passagem Santa Izabel, conhecida como a “Sexta Rua”, entre as passagens Santa Rosa e Pimenta Bueno, no bairro do Cruzeiro, no distrito de Icoaraci, fizeram um protesto interditando a via após ficarem ilhados devido a uma forte chuva que caiu

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Moradores da passagem Santa Izabel, conhecida como a “Sexta Rua”, entre as passagens Santa Rosa e Pimenta Bueno, no bairro do Cruzeiro, no distrito de Icoaraci, fizeram um protesto interditando a via após ficarem ilhados devido a uma forte chuva que caiu no início da tarde de ontem. Segundo eles, em menos de meia hora, a água invadiu várias casas e estabelecimentos comerciais. Alguns moradores perderam objetos, móveis e até eletrodomésticos. Para obstruir a via, na tentativa de chamar a atenção das autoridades para o problema, os manifestantes atearam fogo em pedaços de pau e em um colchão.

De acordo com os moradores, sempre houve alagamentos naquela área, porém a situação teria piorado consideravelmente depois que uma obra que seria do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo do Estado, começou a ser executada no local há cerca de três anos. Trata-se de um conjunto habitacional que foi erguido, mas ainda não foi inaugurado. A comunidade alega que, durante os trabalhos, um igarapé da área foi aterrado, causando o assoreamento do canal que corta a via.

Chegava até o joelho a água que deixou a passagem submersa, invadiu e ficou empoçada nas residências. Com o auxílio de baldes, os moradores que ficaram nessa situação contavam com a ajuda e solidariedade de vizinhos para retirar a água acumulada das casas e pontos comerciais. “Antes de começar a obra já enchia aqui, mas depois que foi iniciada piorou muito. Eles deixaram o canal muito raso, então a água não tem por onde escoar. Nunca tinha alagado a casa do meu pai, mas dessa vez foi tudo para o fundo. Meu pai é doente e teve que ficar quase ‘boiando’ dentro da casa alagada”, contou a dona de casa Márcia Ferreira, 36.

Moradora da passagem há 40 anos, Maria Alice Arruda considera a obra executada no local como “mal feita”. “Essa obra não presta! Nunca tinha acontecido de alagar tantas casas assim. Foi criado um projeto para amenizar a situação, só que agora está enchendo cada vez mais. Tem pessoas idosas que moram só e estão sofrendo com isso. Por aqui passava um grande igarapé, mas eles fizeram um canal pequeno que não suporta todo esse volume de água e agora enche tudo. Levantei o piso da minha casa e do meu comércio, fiz uma barreira, mas agora voltou a encher”, reclamou a comerciante.

A idosa Maria de Assunção Pereira, 81, que mora só em uma casa de madeira de uma pequena vila da área ficou desesperada ao ver a água invadindo sua casa. “Encheu tudo e molhou todas as minhas coisas, sofá, guarda roupa, cama. Quando vi a água começar a entrar, eu me desesperei. Gastei R$ 150 para aterrar aqui na frente, mas não teve jeito, pois taparam o igarapé. O pessoal do PAC diz que tem um projeto para tirar a gente daqui, mas não se sabe quando. Queria que me tirassem daqui”,
desabafa.

O agente de saúde Antônio Lopes, 37, mora há 30 anos no local e foi um dos moradores que interditaram a via. Ele e os demais moradores exigem uma resposta do governo do Estado para solucionar o problema que já se arrasta há vários anos. “Essa obra deveria ter sido bem estruturada. Queremos que as autoridades venham fazer alguma coisa para que esse problema seja resolvido. Não suportamos mais viver assim”.

"ALAGAMENTO FOI INEVITÁVEL", DIZ COHAB

Em nota, a assessoria da Companhia de Habitação do Estado do Pará (Cohab) informou que o bloco de unidades habitacionais construído naquela comunidade faz parte do complexo do Residencial Taboquinha, que está “com obras em andamento e que integram o Programa de Aceleração do Crescimento - PAC, possui mais de 400 unidades habitacionais entregues e hoje tem frentes de trabalho em andamento no que diz respeito à infraestrutura, o que temporariamente causa alguns transtornos à população”.

Sobre os frequentes alagamentos na área, a Cohab respondeu que “aliado à forte chuva que caiu na tarde desta sexta-feira (ontem), foi inevitável o alagamento ocorrido. A Cohab está buscando acelerar as obras e já dispõe de mais 52 unidades habitacionais prontas para serem entregues nos próximos dias. Até o fim de abril mais 36 unidades estarão concluídas para beneficiar famílias da referida comunidade. A equipe de engenharia está trabalhando para equacionar o problema de drenagem da área, já que existem interferências. Na próxima semana, a Cohab providenciará um levantamento para remanejar as casas que são alvo de interferência para andamento do projeto”, assegura. (P.S)

(Diário do Pará)

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