O BRT de Belém foi feito com fins eleitoreiros, sem ouvir a população interessada, cercado de irregularidades como a licitação fraudulenta para escolha da empresa responsável pela obra. Foi assim, sem meias palavras, que o promotor de Justiça do Meio Ambiente, Raimundo Moraes definiu o projeto que poderá ser uma boa alternativa para melhorar o transporte público na capital paraense, mas que hoje ainda patina em meio a problemas.
Moraes também não economizou nas críticas ao atual sistema de transporte público de Belém. “O que está sendo oferecido hoje não é um sistema público. É um sistema privado que não é fiscalizado. O transporte é ruim, caro, inseguro, desconfortável e duvido que algum empresário do setor tenha coragem de vir aqui defender o serviço”, disse.
O promotor fez a palestra de encerramento do Seminário de Mobilidade Urbana, promovido pelo Diário do Pará dentro do projeto Orgulho de Ser do Pará que, nesta segunda fase, está discutindo os grandes temas de interesse da população e investindo em campanhas para melhorar a vida nas cidades paraenses. “Esse é um evento cívico porque amplia a discussão e dá visibilidade ao tema e quanto maior a visibilidade, menor a margem de manobra dos grupos que controlam setores como a mobilidade urbana e o tratamento de resíduos que são tradicionalmente financiadores de campanha. Temos que colocar o dedo na ferida”, afirmou Moraes.
REQUISITOS
A primeira palestra da tarde foi da engenheira civil Cristina Aroucha, especialista em engenharia de transportes que tratou do tema: “Consórcio Público como instrumento de gestão de transporte metropolitano”, e falou sobre o modelo utilizado para gestão de transporte público na Região Metropolitana do Recife, que tem experimentado bons resultados, a partir da gestão pública do sistema.
O sistema BRT foi um dos principais temas de outra palestra na tarde de ontem. O consultor Germano Travassos, estudioso do sistema, fez uma ampla exposição de BRTs pelo mundo. Mostrou a origem do projeto que revolucionou o transporte público em Curitiba, no Paraná, e que depois acabou copiado em capitais de vários países. Em Bogotá, na Colômbia, por exemplo, o Transmilênio (como é conhecido o BRT de lá) chega a transportar mais de 40 mil passageiros. Entre os que usam o transporte público 20% vêm de residência com automóveis e 9% migraram do sistema de transporte individual para o público. “Parece pouco, mas se conseguirmos que 9% das pessoas que usam automóveis passem a usar transporte público, haverá uma queda considerável nos engarrafamentos”, disse.
Para que o sistema se enquadre na categoria de BRT, contudo, é preciso preencher alguns requisitos como a existência de ônibus articulados, o pagamento de passagens fora do veículo, a construção de estações e a facilidade de embarque com portas largas e acesso para portadores de necessidades especiais, sistema de gestão que permita monitorar velocidade, horários, além de identidade própria.
(Diário do Pará)
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