No final da manhã de ontem, 12 praças da Polícia Militar foram recebidos na Assembleia Legislativa por uma comissão formada por seis deputados - Edmilson Rodrigues (PSOL), Carlos Bordalo (PT), o líder do Governo, José Megale (PSDB), Josefina Carmo (PMDB), Raimundo Santos (PEN) e o presidente, Márcio Miranda (DEM) - para discutir as três reivindicações deliberadas pela categoria, composta por soldados, cabos, sargentos e subtenentes da PM, em reunião realizada na noite de quinta-feira, dia 3.
São elas: a isonomia salarial, em termos de reajuste, em relação aos oficiais - tenentes, capitães, majores e coronéis -, que acabaram de garantir, em lei aprovada pela AL, aumento de 110% escalonado pelos próximos quatro anos; o afastamento do tenente coronel Almério Moraes Pereira Júnior, comandante do 6° Batalhão da Polícia Militar, em Ananindeua, onde se iniciaram os protestos contra a diferenciação imposta pelo Governo do Estado em relação ao reajuste para a corporação; e não retaliação contra aqueles que participaram das manifestações. Minutos antes do encontro começar, o presidente da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiros Militares do Estado do Pará (ACSBPM-PA), o cabo Francisco Xavier, não escondia a intranquilidade diante do que acontecia. “Eu falei, eu pedi pelo amor de Deus para que o Governo, os deputados não deixassem isso chegar onde chegou. Agora eu não sei o que pode acontecer se a proposta que nos for apresentada não atender os militares, porque nós estamos cada vez mais sem controle da situação”, admitiu. Ao mesmo tempo, PMs voltavam a fechar a BR-316 e disseram que só sairiam dali diante de uma proposta concreta deliberada durante a reunião na sede do parlamento estadual.
Rechauds de inox chegando à Sala dos Ex-Presidentes, onde a reunião aconteceu, sinalizavam que a conversa aconteceria em meio a um almoço. Megale foi o último a chegar, por volta das 13h, e só então a discussão foi iniciada. O líder do Governo admitiu uma “falta de compreensão” do Executivo na forma de tratar a questão e informou que naquele momento, o governador Simão Jatene (PSDB), o comandante geral da PM, coronel Daniel Mendes, e a secretária de Estado de Administração, Alice Viana, costuravam uma proposta para apresentar aos PMs voltada à recomposição dos vencimentos das praças.
Disse ainda que, por já estarmos a 180 dias da eleição, a Justiça Eleitoral não mais permite a votação de projetos do tipo, e que os três estudavam alternativas legais para o caso. “O Governo já entendeu que 11% de reajuste foi pouco”, disse, referindo-se ao que coube de aumento às praças dentro do famigerado projeto que beneficiou os oficiais. Em relação às retaliações, o tucano informou que não seriam estabelecidos processos de punição por conta das manifestações, mas que excessos, tanto por parte de oficiais quanto por parte de praças, seriam apurados.
O grande impasse morava na exigência do afastamento de Almério que, no dia anterior, enviou policiais militares ao local do protesto, em Ananindeua, anteontem. À imprensa, as praças informaram que prisões não aconteceram porque “os colegas se recusaram a prender colegas de farda”.
“Não é a intenção do governador retirar Almério do cargo, mas se houver indícios de que houve excesso por parte dele, será alvo de investigação”, adiantou Megale. Nessa hora, um policial do 6º BPM apelou ao deputado e pediu que ele se comprometesse de que não haveria retaliações, informando que a corporação estava temerosa de perseguições e retaliações, e que não tinha mais ‘clima’ para ele continuar como liderança no Batalhão. Ao que o líder da base aliada disse que não tinha como ele, pessoalmente, se comprometer em atender a reivindicação, a negociação estagnou.
Às 15h, Megale pediu que a reunião fosse suspensa para ir ao encontro do governador no CGPM. Edmilson Rodrigues seguiu para a BR na tentativa de conversar com os manifestantes, enquanto os demais parlamentares deixavam a AL.
“Houve avanços, mas vejo como uma postura incompreensiva por parte do Governo, que parece dominada por um grupo de oficiais, não atender pela saída do tenente coronel Almério. Tudo isso acontece por conta de uma situação criada pelo Poder Executivo, e a sociedade está pagando por isso”, lamentou o petista Carlos Bordalo.
(AE)
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