O Sindicato dos Médicos do Estado do Pará considera a situação de contaminação da UTI do HPSM da 14 de Março grave, com necessidade de solução urgente. “As UTIs são locais potencialmente contamináveis, já que recebem pacientes com infecções graves e acidentados. Lá existe uma área de isolamento dos casos mais graves, mas quando esse espaço está ocupado esses pacientes acabam ficando na unidade e a contaminação pode ocorrer”, diz Wilson Machado, diretor do sindicato.
A solução para o problema é o monitoramento constante das unidades pela Comissão de Infecção Hospitalar, que deve realizar cultura e analisar os tipos de germes que habitam no local. “Existem tecnologias de higienização que podem isolar e minimizar o problema, como desinfecção adequada, higienização constante das mãos, troca de roupas, etc. Se isso não resolver, o local deve ser evacuado para fazer uma desinfecção mais séria, como é orientado nesse documento”, coloca.
Aliado à higienização, o tratamento medicamentoso é fundamental nesses casos. Analisando os mapas que mostram a quantidade de medicamentos em falta no HPSM da 14 de Março na época em que a contaminação foi descoberta, Wilson aponta falha no combate ao surto bacteriológico. “Essa falta de medicamentos é apenas uma face dos graves problemas que ocorrem nos prontos-socorros da capital, entre os quais a falta de reposição dos estoques da unidade envolvendo não apenas remédios, mas tudo: faltam fios de sutura, esparadrapo e até gaze. Não se pode deixar faltar medicamentos como antibióticos num pronto-socorro. Quem sofre, no fim das contas, são os pacientes”, critica o sindicalista.
A infectologista Rita Medeiros diz que as bactérias mais perigosas são as que desenvolvem resistência aos antibióticos, mas, segundo ela, o mais importante é evitar a infecção e a circulação das bactérias através de medidas rígidas de limpeza e higienização. “Caso a contaminação ocorra, a detecção deve ser precoce para evitar que a doença se assevere e o paciente tenha seu quadro agravado e acabe indo a óbito por infecção hospitalar”, ressalta.
(Diário do Pará)
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