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Estatísticas da violência no trânsito só aumenta

Os acidentes de trânsito se tornaram rotina para quem circula pela cidade, todos os dias vemos colisões entre carros, motos e ônibus. Os transtornos são muito maiores do que imaginamos em um acidente de trânsito: vidas se modificam e aquilo que era uma

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Os acidentes de trânsito se tornaram rotina para quem circula pela cidade, todos os dias vemos colisões entre carros, motos e ônibus. Os transtornos são muito maiores do que imaginamos em um acidente de trânsito: vidas se modificam e aquilo que era uma imprudência de alguns segundos pode se tornar uma lembrança do resto de uma existência. Pedro Lima Júnior tem 43 anos e um acidente de trânsito mudou a sua história há um ano e sete meses. “Eu estava em minha moto quando um carro avançou o sinal e me pegou”, disse relembrando com tristeza o fato. “Felizmente o acidente não tirou a minha vida, mas quebrou a minha perna em seis partes. Foi sorte eu estar vivo, pois não estava usando o capacete na hora do acidente”, explicou Pedro. Quando questionado sobre o porque da imprudência de não utilizar o capacete enquanto pilotava a sua moto, ele deu um sorriso envergonhado. “Irresponsabilidade. Quando não estamos cientes das consequências, a gente faz besteira”, lamentou.

NÓ PARA A SAÚDE

Essa história não é só dele. Muitas outras completam um cenário complicado para a saúde do Estado, no país e até no mundo. Só no ano de 2010, aconteceram 1,24 milhão de mortes por acidente de trânsito em 182 países do mundo e entre 20 e 50 milhões de pessoas sobrevivem com traumatismos e feridas, segundo dados da publicação Mapa da Violência 2013 do Centro Brasileiro de Estudos Latino Americanos. No Pará o cenário não é diferente: mais da metade dos leitos do Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE) vivem ocupados por pacientes vítimas de acidentes de trânsito, segundo informações da assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde do Estado do Pará.

Os acidentes de trânsito que mais fazem vítimas são os com motos. Quase 40% do total de atendimentos realizados no Hospital Metropolitano são de vítimas de trânsito. E desse total, 50% são acidentes de motos, de acordo com dados do próprio Hospital.

IMPACTOS SOCIAIS

Os dados são crescentes e preocupantes, tanto que motivaram uma pesquisa que está sendo realizada pelo doutor Paulo Pires, professor da Universidade do Estado do Pará em Santarém e coordenador de residência médica. Ela mostra os impactos sociais dos acidentes de trânsito, que são inúmeros.

“As vítimas de acidentes de trânsito representam de 40 a 60% da movimentação do pronto-socorro, com uma média de seis casos por dia no hospital de Santarém”, lembra o médico. Ele ressalta que os números só vêm aumentando nos últimos anos. “Os acidentes de trânsito viraram uma epidemia, principalmente em municípios do interior onde a circulação de motos é cada vez maior. Para piorar, a situação os acidentes atingem ainda mais os jovens, entre 18 e 25 anos, e recentemente, temos percebido que mais acidentes têm ocorrido para os menores de 18 anos, que sequer são habilitados”, alerta o professor.

A Organização Mundial de Saúde estima que, na atualidade, 90% das mortes no trânsito acontecem em países com rendimentos baixos ou médios, que, em conjunto, possuem menos da metade dos veículos do mundo.

Se os acidentados estão crescendo os custos de saúde pública também se elevam para os atendimentos de urgência e emergência e geram um valor financeiro astronômico. Atualmente, tais acidentes já representam um custo global de US$ 518 bilhões ao ano, aponta o estudo do Mapa da Violência. “Um acidente de moderado a grave gera um custo inicial de pelo menos R$ 15 mil”, explica o doutor Paulo Pires.

O ortopedista José Guataçara, também professor de medicina e médico do Hospital Metropolitano, confirma os valores gastos para salvar a vida de pessoas que sofrem acidentes de trânsito. “O custo diário de uma Unidade de Tratamento Intensivo, UTI, é cerca de R$ 1.500. Se a pessoa passa 30 dias na UTI, já teremos um valor de R$ 45 mil por mês com apenas um paciente”, explica o ortopedista.

Ambos acreditam que o dinheiro poderia ser melhor investido em campanhas mais eficientes, que alertem para uma realidade: os acidentes vão afetar não só você, mas todo a sua família e sua vida por um tempo. “A gente muitas vezes olha o acidente como um malefício para quem se acidentou, mas na verdade ele chega até a família. Uma pessoa paraplégica ou tetraplégica com certeza vai depender de sua esposa ou marido. O filho pode até largar a escola para ajudar em casa. Isso causa um desarranjo familiar e um agravo social”, explica Guataçara.

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(Diário do Pará)

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