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Projeto estimula catadores e ribeirinhos da Ceasa

“Quero ter a minha própria loja de móveis!”. É com esse sonho em mente que a catadora Sandra Helena pretende investir nos próximos meses. Ela é uma das mais animadas participantes da turma de catadores e ribeirinhos que passam a integrar um projeto rea

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“Quero ter a minha própria loja de móveis!”. É com esse sonho em mente que a catadora Sandra Helena pretende investir nos próximos meses. Ela é uma das mais animadas participantes da turma de catadores e ribeirinhos que passam a integrar um projeto realizado entre a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e a Centrais de Abastecimento do Pará (Ceasa).

O projeto ainda está em formatação, mas a partir do próximo mês os trabalhadores começam a participar de oficinas de reciclagem de um resíduo muito comum na feira: os caixotes. A Ceasa descarta diariamente cerca de cinco toneladas de madeira (caixas e pallets) utilizados no armazenamento do hortifrutigranjeiro. O material costuma ser incinerado ou vai para o lixo.

Foi justamente nesse resíduo que um grupo de alunos empreendedores da Ufra percebeu um investimento. Eles fazem parte do Enactus Ufra, uma equipe em formação e que tem como objetivo transformar dificuldades em oportunidades. O Enactus é uma organização já existente em vários países, é sem fins lucrativos e trabalha com líderes nos negócios e ensino superior.

“Nosso foco é atuar com os catadores e os ribeirinhos moradores do porto da Ceasa, onde atualmente residem cerca de 40 famílias ribeirinhas, a maioria sobrevivendo de benefícios sociais. O objetivo do Enactus é empoderar comunidades, para que saiam da situação de vulnerabilidade social para a independência financeira. Nosso principal lema é: Não damos o peixe, e sim ensinamos a pescar. Quando estávamos escolhendo em qual comunidade trabalhar, percebemos que as comunidades do entorno da Ceasa poderiam e precisavam receber nossa ajuda”, diz a conselheira do grupo, professora Natalia Barbosa.

Através da parceria com a Ceasa, o grupo passa a receber e reaproveitar a madeira e, com a ajuda da comunidade, encontrar no lixo a matéria prima necessária para iniciar uma fonte de renda. Nas mãos dos catadores e ribeirinhos, os caixotes vão se transformar em estantes, mesas, cadeiras e outros móveis e objetos para a casa.

Os trabalhadores já tiveram um primeiro contato com o material. As oficinas de reciclagem básica de pallets serão realizadas com cerca de 15 pessoas, que formam a primeira turma. Os workshops com os trabalhadores estão agendados para iniciar em maio, quando o projeto já vai estar em andamento.

CURSO

O curso é dividido em módulos, do básico ao avançado. Quem vai capacitar os trabalhadores é o instrutor Alexandre Melo, que trabalha há um ano com a reciclagem de pallets de madeira. “Com as oficinas eles aprenderão desde desmontar os pallets, lixar e realizar o acabamento, até ler os projetos de construção e noções sobre a padronização dos móveis”, afirma.

“Primeiro eles aprendem a construir peças mais simples, como prateleiras, aparadores e mesas de centro. Já no módulo avançado vamos reunir maior conhecimento sobre móveis, estantes e uma linha de produção denominada de transformer, que são móveis com dupla função, e que se “transformam” dependendo da utilidade”, diz.

Um dos trabalhadores que integram a primeira turma é Jorge Reis, de 44 anos, membro da comunidade e que sobrevive da extração do açaí. “Eu estava querendo fazer um curso de marcenaria e as oficinas apareceram na hora certa. O projeto pode influenciar muito na comunidade, pois é algo que nos trará benefícios. Não tenho dinheiro para pagar um curso, então vou fazer aqui com eles, afinal, depois vou poder fazer móveis e vender pra sustentar minha família, já que no momento a única fonte de que temos é o açaí, isso quando o fruto está na época”, disse.

A meta do grupo é, no futuro, conseguir patrocínio para organizar um show room, em que possam mostrar os móveis para que a população visualize de perto a qualidade do trabalho.

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(Diário do Pará)

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