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Moradores de Outeiro reclamam de abandono

Foi sobre a lama e sujeira que muito moradores de Outeiro tiveram que comemorar, ontem, os 121 anos do distrito. Para eles, a data não representa um motivo para festas e celebrações. No último sábado, o DIÁRIO perguntou aos moradores que presente eles

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Foi sobre a lama e sujeira que muito moradores de Outeiro tiveram que comemorar, ontem, os 121 anos do distrito. Para eles, a data não representa um motivo para festas e celebrações.

No último sábado, o DIÁRIO perguntou aos moradores que presente eles dariam para a ilha e as respostas foram unânimes: saneamento, saúde, educação, segurança e transportes. E não foi difícil entender os motivos de tais presentes. Em uma volta por três bairros, o que mais se encontrava eram ruas intrafegáveis pela lama e buracos, algumas inclusive já foram fechadas pelo mato.

“Uh! Beleza”, ironizou a manicure Sheila Gomes, ao informar o nome da rua onde mora, no bairro Água Cristalina. “O nome é rua da Beleza, mas de belo não tem nada”, reclama. A via é extensa. Ao longo dela moram pelo menos 25 famílias, que sofrem inúmeros transtornos, principalmente quando chove.

A rua da Beleza quase já se transformou num igapó. Logo no início a lama já tomou conta de toda a via. “Não passa carro pequeno e, quando chove, nem caminhão. A água acumula e invade as casas”, disse Sheila. A população improvisou uma sinalização com troncos de árvores e pneus. A via é cortada por uma transversal, a passagem Alfa, que já foi fechada pelo mato. “Se a gente quiser que este matagal volte a ser rua, teremos que nós mesmos mandar capinar”, lamentou.

No bairro de São João do Outeiro, os moradores ressaltam que já não têm mais a quem recorrer. “O prefeito só apareceu aqui durante a campanha para pedir voto e nunca mais. Moro aqui há 13 anos e toda vez que preciso sou eu quem limpo a rua onde moro. Semana passada até cobra apareceu no meio do mato”, desabafou o aposentado João Sousa, 65.

DIFICULDADES

João Sousa mora na travessa Tito Franco e ressalta que toda vez que chove, ninguém entra e ninguém sai de casa. “Estamos entregues às baratas, mas consta no projeto da prefeitura que a nossa rua é asfaltada”.

Para chegar até a casa dele, é necessário seguir caminho pela rua das Mangueiras, que é só lama e em cada esquina tem entulhos de lixo. “Outeiro toda está só lixo, mato e lama. A gente que tem que capinar senão o mato toma conta de tudo”, ressaltou. “A situação nas ruas 22 de Junho e Independência são críticas, precisam ver quando chove, como fica”, denuncia.

Também no bairro de São João do Outeiro mora a autônoma Maysa Cristina Reis, 28, que há dois anos mora numa palafita erguida sobre um igapó. “A gente mora aqui porque não tem para onde ir. Quando chove a água invade as nossas casas e aparece cobra, tudo que é tipo de bicho. Tenho medo porque tenho dois filhos pequenos”, comenta.

Questionada sobre o presente que daria para Outeiro, ela é enfática ao responder que daria saneamento. “Precisamos de tratamento de esgoto e de asfalto”, apontou. A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Belém, mas até o fechamento da edição ninguém respondeu ao e-mail encaminhado na noite do último sábado.

(Diário do Pará)

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