Pacientes internados nos corredores e falta de materiais básicos, como luvas e seringas. Este foi o cenário encontrado por integrantes da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, em hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) de oito estados das cinco regiões do país.
No Pará, a vistoria foi realizada em março de 2012, no Pronto Socorro Municipal Mario Pinotti, em Belém. A situação foi classificada como “surreal” no relatório, devido a falta de água no bebedouro, nos chuveiros e nas descargas sanitárias.
A falta de leitos também é relatada no relatório. “As cirurgias neurológicas precisam de suporte de UTI, mas isso não ocorre, pois grande número de pacientes crônicos ocupam os leitos das UTI. Há óbitos ocorridos no hospital em apuração na polícia e na Justiça, há dois casos recentes de erro médico”, detalha.
O relatório mostra ainda que “há carência de profissionais em todos os segmentos”. O último concurso público foi realizado em 2002 e os afastamentos, ainda segundo o documento, principalmente por doenças ocupacionais - também constantes. “As extensões de carga horária aumentam o stress. Ocorreu aumento de 64 leitos, mas as equipes não aumentaram.”
Um dos motivos desse caos, segundo o relatório, é o subfinanciamento da Saúde. Em média, apenas 10% do dinheiro aprovado no orçamento da União é efetivamente gasto. Os resultados do relatório serão enviados à presidente Dilma Rousseff, aos presidentes da Câmara e do Senado, e ao Supremo Tribunal Federal.
(DOL)
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