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Governo ignora pauta do MST

Um grupo de trabalhadores rurais da Associação dos Sobreviventes, Dependentes e Viúvas do Massacre de Eldorado dos Carajás e Conflitos Agrários do Pará (Asvimecap) chegou ontem a Belém, após partir de Eldorado dos Carajás, de várias partes do Estado e

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Um grupo de trabalhadores rurais da Associação dos Sobreviventes, Dependentes e Viúvas do Massacre de Eldorado dos Carajás e Conflitos Agrários do Pará (Asvimecap) chegou ontem a Belém, após partir de Eldorado dos Carajás, de várias partes do Estado e até mesmo de outras regiões do país, com o objetivo de pressionar o governo a cumprir o que ficou estabelecido por meio de decisões judiciais, decretos e acordos em prol dos sobreviventes e dependentes das vítimas do “Massacre de Eldorados dos Carajás”.

O episódio sangrento aconteceu em 17 de abril de 1996, na chamada “Curva do S”, na rodovia BR-155, antiga PA-150, quando 19 pessoas foram mortas.

Os trabalhadores acamparam na Praça Batista Campos, em Belém, para chamar a atenção das autoridades do Poder Executivo. Integrantes da associação se reuniram com representantes da Casa Civil e da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) na Procuradoria Geral do Estado (PGE) para pedir o cumprimento dos acordos.

De acordo com decreto publicado no Diário Oficial, assinado e sancionado pelo governo em 2007, na gestão de Ana Júlia Carepa, o Estado se comprometeu a prestar, por tempo indeterminado, o tratamento médico aos envolvidos no conflito.

“O governo, através da Sespa, ficou responsável por garantir o tratamento médico, inclusive odontológico, e toda a infraestrutura necessária para o deslocamento dos sobreviventes e dependentes de falecidos do massacre. Temos os documentos que comprovam e não é só isso. O Estado também deve indenização e pensão aos trabalhadores. Só uma parte foi indenizada. A pensão que eles pagam é um dinheiro tão insuficiente que não dá para nada”, disse o vice-presidente da Asvimecap, Tiago de Araújo.

“Todo ano temos que deixar nossas casas, nossos afazeres para vir para a capital cobrar do governo um direito que já nos foi garantido. Será que o Estado não tem capacidade para cumprir? Será que há 18 anos temos de vir aqui para mostrar que somos gente? É dever do Estado reparar todo o dano, mas não vai pagar o nosso sofrimento. Sou filho de sobrevivente e sei o que meu pai sente. Ele levou dois tiros de fuzil na perna e hoje não pode mais trabalhar”, assegura Tiago.

Mas não houve acordo entre o MST e o governo do Estado. A reunião aconteceu com a presença do procurador-geral do Estado, Caio Trindade, e outras secretarias de Estado para tratar sobre as reivindicações dos trabalhadores rurais da Associação dos Sobreviventes, Dependentes e Viúvas do Massacre de Eldorado dos Carajás e Conflitos Agrários do Pará (Asvimecap).

“Não houve avanço nessa primeira conversa, vamos continuar reunindo com o governo até conseguirmos atender a nossa pauta”, informou Tiago Araújo, vice-presidente da Asvimecap.

A rodada de negociação com o governo prossegue hoje com reunião entre os trabalhadores e a Secretaria Estadual de Saúde.

(Diário do Pará)

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