“Não diga para uma mãe ter paciência. A doença não espera chegar o medicamento. Se ela piorar, não tem como salvar. É a única princesa que eu tenho”. O desabafo é de Luciana Silva, mãe de uma criança de 5 anos que há 1 ano e meio faz tratamento contra o câncer no Hospital Ophir Loyola. A menina precisa sair do município de Castanhal uma vez por semana para se tratar em Belém, mas há duas semanas precisou interromper a sessão devido à falta de medicamentos naquele hospital.
Indignados, familiares de dezenas de crianças que estão na mesma situação, realizaram uma manifestação em frente ao HOL. De braços dados e cartazes nas mãos, os parentes bloquearam por duas horas, o fluxo de veículos na avenida Magalhães Barata, entre as ruas 14 de Abril e Castelo Branco, bairro de São Brás. O objetivo era chamar a atenção da sociedade e da diretoria do hospital.
O Hospital, considerado de referência no tratamento contra a doença, atende crianças e adultos de todo o Estado. Casos mais graves precisam ficar internados para receberem a medicação, e até esses, padecem com a interrupção do tratamento. “Tem gente chegando e indo embora porque disseram que não tem previsão para a chegada desses remédios”, disse Claudiane Soledade, moradora em Garrafão do Norte, interior do Estado. Ela traz a filha de nove anos toda a semana desde dezembro do ano passado, quando descobriu o câncer no cérebro da filha. “Faço todo o sacrifício com a esperança que ela fique logo boa, mas sem o remédio, como isso vai acontecer?” questiona.
A mesma dificuldade é compartilhada por Gildete Ribeiro. Com o filho de quatro anos no colo, ela tem de atravessar o Rio Moju de barco ou balsa – já que a ponte está quebrada - para a capital. “Ele tem leucemia e faz tratamento de quimioterapia. Sai de casa quatro horas da manhã pra chegar aqui às dez e não ter remédio pra ele [filho]”, lamentou.
Os medicamentos de uso contínuo que estão em falta, segundo os familiares são: Purinetol, Leucovorin, VP, Sulfametazona, Dexametazona, Doxon, Intratecal e até mesmo o Paracetamol. “A falta de medicamentos é prejudicial no tratamento dos nossos filhos.
Não é a primeira, nem segunda vez que isso acontece. Eles esperam acabar o remédio, esperam a gente gritar aqui na frente para providenciar. Não dá para esperar”, reforça Luciana Silva.
(Diário do Pará)
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