O Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Pará (Iasep) não estaria pagando algumas clínicas e laboratórios de exames que prestam serviços ao PAS, o plano de saúde dos servidores estaduais. Por conta disso, quem procura essas clínicas em busca de consulta médica ou tenta fazer exames laboratoriais não está recebendo atendimento ou enfrenta limitações. Geane Andréa relata que peregrinou por quatro laboratórios em busca de um simples exame de sangue, mas nada conseguiu.
“Acho isso um absurdo. Tentei saber o que estava acontecendo e me disseram nesses laboratórios que como o Iasep não está fazendo o repasse do dinheiro pelos serviços prestados, eles só atendem por cotas. Quando acabam as cotas, quem chega depois não é atendido”, explicou Andréa. Ela disse que antigamente não havia essa restrição. “A gente ia em qualquer laboratório e era atendido imediatamente”, desabafa. Alguns funcionários de laboratórios como Beneficente Belém e Som Diagnósticos comentaram com ela que o atendimento aos servidores do Estado, em vista do atraso no pagamento, não estava compensando.
Andréa contou que estava quase para desistir de tanto procurar um laboratório que realizasse o exame de que ela necessita, quando finalmente conseguiu encontrar um local, na Humaitá com Marquês de Herval. “Eu só fui atendida porque me disseram que esse laboratório ainda não aderiu ao regime de cotas estipulado pelos concorrentes”, assinalou, enfatizando que o desconto para o PAS na folha de pagamento é de R$ 150.
O mesmo problema, desta vez de atendimento médico, foi enfrentado pelo marido de Andréa. Ele precisa consultar um reumatologista e um endocrinologista, mas não foi atendido nas clínicas que procurou. O motivo foi o mesmo: falta de pagamento. Cansado por não conseguir a consulta, ele foi obrigado a recorrer a um médico particular. E ouviu do profissional que o Estado não está pagando as clínicas, por isso ninguém quer prestar serviço para o governo.
servidores. “O Iasep vem reunindo os empresários da área para evitar que os segurados retornem sem atendimento, por falta de cota. Nossa meta é evitar o retorno do segurado, especialmente os que buscam serviços laboratoriais, mas estamos com 114 laboratórios e esse trabalho está sendo feito com cada um dos empresários”, explica a presidente do órgão, Iris Gama.
Segundo ela, na tarde de ontem foram feitos ajustes na cota de atendimento de três grandes laboratórios de Belém. “Nós estamos realizando esse trabalho à medida que o laboratório solicita, ou que o segurado indica a necessidade”, diz ela. Ainda sobre o atendimento nos laboratórios e clínicas, a presidente do Iasep informou que “algumas clínicas informam que precisam agendar atendimento para os diagnósticos por imagem, em razão do grande número de segurados do Iasep, mas os mesmos serviços são encontrados em outros laboratórios, com o mesmo padrão de qualidade”.
Em reunião com 15 sindicatos de servidores públicos do Pará, Iris Gama explicou que as cotas existem desde a criação do plano e são instrumentos de regulação fundamentais para manter a cobertura médica completa aos mais de 247 mil. Ela disse ainda que é inevitável a demora no agendamento de consultas em algumas especialidades médicas, resultado da carência de profissionais da saúde na região Norte do País.
“Essa carência é maior em especialidades como endocrinologia, reumatologia, psiquiatria e geriatria, nas quais as consultas são agendadas de acordo com a disponibilidade dos profissionais que prestam serviços ao plano”. A presidente do Iasep diz ainda que nenhum credenciado informou paralisação de atendimento sob a alegação de atraso de pagamento.
(Diário do Pará)
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