Depois do acidente ocorrido entre um quadriciclo e um automóvel na praia do Atalaia, em Salinas, durante o feriadão, e que terminou deixando uma jovem com uma das pernas parcialmente amputada, não faltaram manifestações, principalmente nas redes sociais, e críticas sobre o fato de tratar-se de uma orla que permite o tráfego de veículos.
“Todo mundo cai de pau, mas quer levar seu carro para a praia. Proibir nós podemos, basta acionar a Justiça, mas é preciso bom senso. Fizemos isso uma vez, há alguns anos, em 2007, e foi o caos. Sendo que a parte mais prejudicada foi a população”, afirma a superintendente substituta da Superintendência de Patrimônio da União (SPU), Maria Aparecida Barros Cavalcante. “Essa experiência nos mostrou que é mais eficaz trabalhar de forma parceira com a prefeitura do município do que chegar e simplesmente impor uma restrição”.
Apesar desse entendimento, a SPU admite que o fim dessa circulação livre é, sim, possível, e que pode ser que isso ocorra em um futuro próximo. “Esse e outros problemas da orla de Salinas recaem em uma mesma questão: ordenamento do espaço e isso envolve restrição temporária de utilização de trechos da praia para que o meio ambiente, em um processo natural, possa se recompor”, explica Marisa Guterres, também do SPU e responsável pelo Projeto Orla, do Governo Federal, que busca compatibilizar políticas ambiental, urbana e do patrimônio da União na gestão integrada da orla.
“É algo que terá de acontecer em algum momento porque tudo o que existe na orla hoje, da forma como está, em dez anos, será tomado pelo mar”, alerta.
Guterres conta que, em 2010, foi fechada uma cooperação técnica entre a superintendência e a prefeitura de Salinópolis, que deixou incumbida à segunda a gestão de toda a circulação que acontece na areia. “Fizemos oficinas à época, contando inclusive com a população e desses encontros e depois de muita discussão chegou-se à conclusão que essa gestão caberia melhor à prefeitura, que expede alvarás, que cuida do ordenamento público urbano”, recorda.
“Quando esse acordo de gestão, com duração de 36 meses, foi firmado, foram estabelecidas 14 metas referentes a diversos problemas recorrentes nas praias de Salinas, envolvendo não só o trânsito de carros na areia como também outras questões ligadas à segurança de quem circula pelas praias, que a prefeitura se comprometeu cumprir recorrendo ao governo estadual, federal, ao papa, se fosse preciso. O acordo já venceu, já convocamos, em janeiro, e sem resposta até agora, a prefeitura para tratar da renovação e da discussão das metas que não foram cumpridas - o único avanço foi a criação de uma secretaria de transporte para o município”, relata Aparecida.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar