O número de famílias que sofreram despejo na Amazônia pela construção de barragens e usinas hidrelétricas, pela mineração, grilagem de terra, extração de madeira e pela lavoura de monoculturas aumentou 76% em 2013.
No Pará, o número cresceu de 193 para 710, 274%. Despejos e expulsões, juntos, aumentaram 63% em 2013. Os dados são do relatório Conflitos no Campo 2013, divulgado ontem pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), que considera o aumento de conflitos em território paraense como reflexo do “crescimento do papel repressivo do Estado na região”.
“Diferente do restante do Brasil, onde o número de famílias expulsas diminuiu em relação a 2012, na Amazônia, ocorreu o inverso: o número de famílias expulsas cresceu em 11%, passaram de 472 para 525; e o de famílias despejadas, em 76%”, informou o documento.
No Acre, por exemplo, o número de casas destruídas aumentou 1.038% - de 26, em 2012, para 296, em 2013. O maior número de famílias despejadas de casa em 2013 foi registrado na região Norte, com 2.323, seguida pelo Nordeste, com 1.769. No total, foram mais de 6,3 mil famílias
despejadas.
FAMÍLIAS
Também teve crescimento acentuado de 126% o número de famílias com casas destruídas, passando de 503, em 2012, para 1.186, em 2013 e as com bens destruídos 19%, passando de 570 para 676. O Acre destacou-se pelo aumento de 1.038% em relação ao número de casas destruídas. Passou de 26 para 296. Também no Acre, a atuação de pistoleiros ou de milícias armadas mais que quadruplicou: de 90 famílias afetadas por ações de pistoleiros em 2012, este número saltou para 380, em 2013.
Já o número de conflitos no campo teve redução passando de 1.364, em 2012, para 1.266, no ano passado. De acordo com o relatório Conflitos no Campo 2013, a posse da terra é o motivo que leva à maior parte desses conflitos – 1.007, em 2013, 60 a menos do que no ano anterior. Em relação ao número de pessoas envolvidas, o relatório também registrou queda, de 648,5 mil para 573,1 mil.
O número de assassinatos no campo registrou redução: de 36, em 2012, para 34, em 2013. Em números absolutos, foi no Pará que ocorreu o maior número de assassinatos no campo: um total de seis, segundo a CPT. As tentativas de assassinato diminuíram de 77 para 15, assim como as ameaças de morte, de 241 para 195.
Para a comissão, chama a atenção o fato de mais famílias indígenas estarem envolvidas em conflitos rurais. Das mais de 1,2 mil ocorrências, 205 estão relacionadas a índios. Os estados em que há a maior quantidade de registros de violência que envolve indígenas são a Bahia e Mato Grosso do Sul.
(Diário do Pará)
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