Os médicos anestesiologistas suspenderam as atividades no Hospital Universitário Bettina Ferro por causa de atrasos de pagamento. De acordo com a Cooperativa de Médicos Anestesiologistas do Pará (Coopanest-PA), a direção do hospital não paga o convênio desde outubro do ano passado e a dívida já soma um total de R$ 449.400,00.
Por causa da paralisação, cerca de doze cirurgias e uma média de dez consultas pré-anestésicas deixaram de ser feitas, diariamente, na unidade. Além de não receberem os honorários, os médicos também reclamam da falta de estrutura para eles trabalharem com segurança.
De acordo com o presidente da Coopanest-PA, Luis Paulo Mesquita, a medida foi uma decisão da própria categoria, que está insatisfeita devido as péssimas condições de trabalho. "Para se ter ideia, o hospital não tem nem capnógrafo, um monitor essencial para a realização e aplicação de anestesia geral. Além disso, os aparelhos de ventilação são inadequados às crianças", pontuou o anestesiologista.
Em relação à dívida, Luis Paulo ressalta que por mês o hospital deve repassar para a cooperativa R$ 64.200. "Estamos há sete meses sem receber. A diretoria do Bettina prometeu ir pagar parcelado, no início, mas até hoje não quitou nenhum débito", frisou.
A Coopanest-PA afirma ainda que o Conselho Regional de Medicina já foi informado, através de ofício, sobre as péssimas condições dos equipamentos do local.
O Hospital Bettina Ferro pertence a Universidade Federal do Pará e é considerado uma referência em Otorrinolaringologia e transplantes de córnea na região Norte. Dezenas de cirurgias deixaram de ser feitas.
O DOL entrou em contato com o Hospital Universitário Bettina Ferro e aguarda retorno.
(DOL)
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