O Pará é o segundo Estado brasileiro com maior número de atendimentos registrados pelo Disque 180. Em números absolutos, foram 30.458 registros no ano passado. A taxa de denúncias no período foi de 809,44 atendimentos por 100 mil mulheres.
Parauapebas lidera a classificação entre os municípios paraenses onde as mulheres procuraram o serviço, com taxa de registro de 726,90 por 100 mil mulheres. Belém e Santarém vêm em seguida, apresentando taxas de 681,34 e 575,36, respectivamente. Segundo o levantamento, o DF alcançou taxa de registro de 1.171,02 por 100 mil mulheres. A terceira posição ficou com o Amapá, com taxa de 742,78 acessos ao Disque 180.
Os dados são do Balanço Anual da Central de Atendimento à Mulher – Disque 180 -, divulgado ontem em Brasília. A central de atendimento é um serviço telefônico vinculado à Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. O serviço recebe denúncias sobre violência de gênero.
O Disque 180 tem foco no acolhimento, orientação e encaminhamento para os diversos serviços da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres em todo o Brasil.
A Central de Atendimento à Mulher – Disque 180 - atingiu 532.711 registros no ano passado, totalizando quase 3,6 milhões de ligações desde que o serviço foi criado, em 2005.
A violência física representa 54% dos casos relatados e a psicológica, 30%. No ano, houve 620 denúncias de cárcere privado e 340 de tráfico de pessoas. Foram registradas ainda 1.151 denúncias de violência sexual em 2013, o que corresponde à média de três ligações por dia sobre o tema.
O levantamento do serviço aponta que em 2013 subiu de 50% para 70% o percentual de municípios de origem das chamadas. Cresceu também — em 20% — a porcentagem de mulheres que denunciaram a violência logo no primeiro episódio. Relatos de violência apontam que os autores das agressões são, em 81% dos casos, pessoas que têm ou tiveram vínculo afetivo com as vítimas.
Para a deputada federal Elcione Barbalho, que é procuradora da Mulher da Câmara dos Deputados, a situação do Pará é preocupante, já que o número de registros vem crescendo a cada ano. “Isto demonstra que todo trabalho que vimos desenvolvendo pelo Estado do Pará está dando resultados. As mulheres paraenses estão perdendo o medo de denunciar, estão indo atrás de seus direitos. Infelizmente o governo local não investiu na criação de mais equipamentos de segurança e proteção à mulher. Talvez assim, com estes tristes números, o governo decida completar a implementação da Lei Maria da Penha no Estado, que é um dos mais deficitários do país”.
(Diário do Pará)
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