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Obras em cratera não terminam amanhã

A expectativa para a conclusão das obras na cratera que rasgou um trecho da avenida Almirante Barroso no último sábado ficou comprometida segundo o engenheiro da obra. “Com a chuva que deu ontem (segunda-feira), o problema se agravou e eu acredito que pos

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A expectativa para a conclusão das obras na cratera que rasgou um trecho da avenida Almirante Barroso no último sábado ficou comprometida segundo o engenheiro da obra. “Com a chuva que deu ontem (segunda-feira), o problema se agravou e eu acredito que possivelmente as obras vão atrasar. Estamos trabalhando 24 horas por dia em regime de plantão até a conclusão das obras”, esclarece o engenheiro Edemir Beltrão, responsável pela obra de recomposição do trecho que cedeu na avenida Almirante Barroso.

Já na segunda-feira (28) o secretário Municipal de Saneamento em exercício, Janary Pinheiro, disse que as obras deveriam ser finalizadas até quinta-feira. E a previsão para que o trânsito fosse liberado na avenida seria para sexta-feira, após a secagem do concreto. “Estamos utilizando blocos com estrutura pré-fabricada, o que vai acelerar os serviços. Temos à disposição toda estrutura necessária, com máquinas e homens trabalhando para finalizar o serviço de forma ágil e segura”, ressaltou Pinheiro, considerando que a incidência de chuva pode dificultar o serviço, sem comprometer o prazo já estabelecido.

131 METROS
A cratera, que estava com 128 metros, se alargou por mais 3 metros cúbicos de largura depois da chuva que caiu na última segunda-feira. Ainda de acordo com o engenheiro, o problema que causou a abertura da cratera foi de caráter estrutural. “O que aconteceu aqui foi um problema estrutural do poço de visita, que faz o sistema de drenagem e a interligação das águas e não de limpeza. Quando há problema de obstrução a agua não passa”, explica.

Segundo Janary Pinheiro, o problema foi causado pelo abalo na galeria de recepção de água da chuva, que foi construída há mais de 30 anos. “Este é um fato muito raro de acontecer. Geralmente esse abalo ocorre na rede de drenagem e com uma dimensão bem menor. A galeria que cedeu já é oca e antes do asfalto romper uma grande quantidade de solo de sustentação foi conduzido com a força da água da chuva”, ressaltou.

DOL

SEM MANUTENÇÃO
Para o professor de infraestrutura urbana da Universidade Federal do Pará, João Mota, o problema foi causado pela falta de manutenção no local. “O que vemos aqui em Belém, é que quando ocorre um problema só vão resolver apenas ele. A cidade está cheia de pontos de alagamento e acúmulos de água, o que já é sinal que tem problema. Tem que haver limpeza nas laterais, que são ligadas às galerias centrais. Não se resolve a causa em si, deve-se resolver o conjunto da drenagem”, descreve.

Ainda segundo o especialista, o problema é pontual mas pode acontecer em outros locais da cidade. “O problema foi na caixa coletora, onde chega a tubulação. Nela deveria existir uma limpeza duas vezes ao ano, por isso que se chama poço de visita. Nesse ponto da Almirante não há alagamento, até porque é alto, mas alaga na Pedro Alvares Cabral, onde está tudo ligado. Hoje tem equipamento que não é preciso quebrar nada para fazer a limpeza. Com a sujeira e o fluxo a tubulação se desconectou, e houve a erosão”.

Segundo a Assessoria de Comunicação da Secretaria Municipal de Saneamento, a caixa receptora será substituída. “A limpeza é feita de acordo com a necessidade e também fazemos o trabalho preventivo. Hoje temos sete caminhões hidro jatos, que jogam e puxam a água para fazer a desobstrução dos bueiros. Há dois anos era apenas um”, esclarece Lauro Lima.

Enquanto isso, população sofre no trânsito

Quem precisou entrar em Belém ontem, por via terrestre, teve que ter paciência para esperar. A cratera que se formou na avenida Almirante Barroso fez motoristas, pedestres e até mesmo motociclistas ficarem presos no congestionamento na BR-316, que por volta das 6h já estava congestionada. “O trânsito de Belém sempre foi complicado, agora com o buraco da Almirante vai piorar. Precisei acordar bem mais cedo para pegar ônibus e não chegar atrasada, mas mesmo assim vou ter que pegar uma mototáxi e continuar. De ônibus ou carro não dá”, lamentou a auxiliar de enfermagem Lucia Ramos Sousa.

Elizabete Oliveira Paiva estava acompanhada de sua neta de dois anos e sua filha. Elas estavam chegando do município de Moju, e na entrada da capital se depararam com o caos no trânsito, mas, segundo ela, já previam a situação. “Temos que descer aqui nessa parada para pegar outro ônibus. Já tem mais de meia hora que estamos esperando, e até agora nada. Ontem eu vi na televisão o buraco que abriu, por isso já sabíamos do engarrafamento. Além da ponte que quebrou o buraco abriu, e nossa vida atrasou”, comenta Elizabete.

Alice Pereira Cabral, 72 anos, também chegava a Belém, mas ao contrário de Elizabete, a dona de casa não sabia da cratera na Almirante Barroso, e por isso não se preveniu. “Eu estou vindo de Abaetetuba, vim fazer uma consulta que estava marcada há mais de dois meses. Ela foi marcada para às oito horas. Antes, eu ia passar na casa da minha cunhada, para visitar meu irmão que também está doente, mas com esse engarrafamento não vou chegar a tempo no médico se eu parar por lá. Esse trânsito atrasou meus planos para hoje (ontem), mas vou ter que dar um jeito e ver meu irmão”, disse a doméstica.

Os motoristas de ônibus também estavam precavidos. “Todos os dias o trânsito é bem complicado nessa região do entroncamento e na BR. Mas hoje (ontem), devido ao buraco, tivemos que esperar mais. Quem não quer se atrasar para os compromissos tem que sair de casa pelo menos uma hora mais cedo e enfrentar o engarrafamento”, ressaltou Hélio Oliveira, motorista do micro-ônibus que faz o trajeto Distrito-Industrial – Castanheira.

Além das pessoas saírem mais cedo de suas casas, outras procuravam meios para escapar do caos. Rosa Alves, que mora em Marituba, teve que pernoitar na casa da mãe para conseguir levar sua filha na escola. “Minha filha estuda em Belém, se eu fosse sair de casa hoje (ontem), eu teria que sair antes das 5 horas da manhã, por isso nós ficamos na casa de minha mãe para não ter tanto sacrifício”, argumenta.

ALGUNS FATURAM

Com o congestionamento, algumas pessoas tiveram que gastar mais, enquanto outras faturaram. Erick Farias é mototaxista e até às 7h30 de ontem já tinha levado oito pessoas que estavam atrasadas. “Cheguei aqui antes das 6 horas. Levei várias pessoas para o trabalho. Uma foi pra Doca, outra para trás do Bosque e uma senhora em Nazaré que estava atrasada para o trabalho, além de outras aqui perto. As pessoas descem dos ônibus e pegam a nossa moto, mas mesmo assim o trânsito atrapalha” disse Erick.

(Diário do Pará)

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