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Empresários criticam ineficiência do Estado

Reunidos ontem à tarde, em Belém, dirigentes das entidades que integram a Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Pará (Faciapa) desfiaram um rosário de queixas contra a precariedade e ineficiência de serviços públicos. Em alguns casos, as

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Reunidos ontem à tarde, em Belém, dirigentes das entidades que integram a Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Pará (Faciapa) desfiaram um rosário de queixas contra a precariedade e ineficiência de serviços públicos. Em alguns casos, as reclamações evoluíram também para críticas abertas ao Governo do Estado, a quem acusam de não dar atenção à solução de problemas que afetam as comunidades do interior. A Faciapa congrega associações filiadas de 68 municípios, incluindo a bicentenária Associação Comercial do Pará (ACP).

Entre outras questões, quase todas de natureza interna, a Faciapa elegeu, para a reunião de ontem, três temas como sendo os principais itens da pauta. Um, a péssima qualidade do serviço de internet que hoje atende a região oeste do Pará, tendo como polo principal a cidade de Santarém. O segundo, as frequentes interrupções e oscilações de carga que afetam o serviço de distribuição de energia elétrica no nordeste paraense. E, por fim, as dificuldades, os transtornos e os prejuízos sofridos pelas populações dos municípios interligados à capital pela rodovia PA-150 e suas conexões federais, a partir do desabamento da ponte sobre o rio Moju, na Alça Viária.

O presidente da Faciapa, Olavo das Neves, disse que estavam sendo esperados para participar da reunião, como convidados, o vice-governador Helenilson Cunha Pontes, executivos da Celpa e pelo menos um diretor da Prodepa, a empresa estadual responsável pela operacionalização dos serviços de internet. Em relação aos problemas com a distribuição de energia elétrica, ele disse que as queixas partem principalmente de empresários da cidade de Bragança e de municípios vizinhos. “A insatisfação está hoje latente em toda a região nordeste do Estado”, acrescentou.

Já na região oeste do Estado, a grande preocupação é com o risco de um colapso aparente nos serviços de internet. Olavo das Neves disse que, há cerca de um mês, Santarém e todos os municípios do oeste paraense permaneceram sem serviços de internet durante três dias.

Durante esse período, os postos de gasolina e os supermercados, até pela impossibilidade da emissão de notas fiscais, tiveram suas operações drasticamente restringidas. “O Estado também sofreu prejuízos pela quebra de receita, mas o fato é que o comércio como um todo foi muito prejudicado”, afirmou o presidente da Faciapa. Segundo Olavo, a Associação Comercial e Empresarial de Santarém estima ter havido, durante os três dias de inacessibilidade total à internet, uma queda de 40% no faturamento diário no comércio.

Ele destacou também que o corredor de transporte ligando a capital aos municípios do sul e sudeste do Pará foi gravemente afetado pela queda da ponte do rio Moju. As populações de uma extensa área do Estado, segundo disse, foram impactadas pelo acidente, seja pelas dificuldades de escoamento, precariamente compensadas por medidas paliativas, seja pelos crescentes embaraços que passaram a enfrentar em termos de abastecimento. O fluxo de mercadorias, segundo ele, é hoje mais lento e os custos de transporte se tornaram muito mais elevados.

A área de construção, conforme frisou, foi uma das mais duramente afetadas, com brusco aumento de preços do cimento e de outros produtos da construção civil. “Todos os municípios que se conectavam por meio da Alça Viária com a capital e com as demais regiões do Estado foram prejudicados”, finalizou.

Falta governo nas regiões oeste e sudoeste do Pará

" Falta Governo nas regiões oeste e sudoeste do Pará, É por isso que nós lá estamos empenhados na busca da autonomia política e na criação de um novo Estado”. A declaração, em tom de desabafo, foi feita pelo presidente da Associação Comercial e Empresarial de Novo Progresso, Luiz Dary Bazanella. Ele disse que as constantes panes no serviço de internet, que tornam inoperante o sistema da agência local do Banco do Brasil, estão levando ao desespero a população da cidade.

“Há poucos dias, esteve iminente inclusive um quebra-quebra na agência do Banco do Brasil”, disse Luiz Bazanella, também presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Novo Progresso. O abastecimento de energia elétrica é outro serviço que causa insatisfação. Na zona rural, em que pese a propaganda sobre o programa Luz para Todos, somente algumas poucas propriedades, localizadas às margens das vicinais, foram até hoje contempladas. “O programa de eletrificação rural está parado na nossa região”, completou.

Outro problema sério é representado pelas precárias condições de tráfego da BR-163, agravadas pelo adensamento do fluxo de caminhões de carga. A rodovia federal, que liga Cuiabá (MT) a Santarém, continua em boa extensão em solo batido. No trecho já pavimentado, porém hoje existem mais buracos do que asfalto, conforme denunciou o dirigente empresarial. Ele disse que por ali passam, em média, 600 caminhões nos dois sentidos, e a previsão é de que esse número suba em curto prazo para 800 veículos/dia, carregados principalmente com soja e milho.

Como a rodovia não recebe manutenção adequada, acidentes graves estão acontecendo com frequência, principalmente no trecho que vai de Cachoeira da Serra até Novo Progresso. Isso preocupa muito a população local, conforme frisou, tendo em vista o crescimento previsto do fluxo de cargas na região e as perspectivas de acelerado desenvolvimento do município.

“Um estudo da Emater revelou que Novo Progresso dispõe de 830 mil hectares propícios à produção agrícola, como soja, milho, arroz, feijão e algodão. Isso nos permite acreditar que, nestes próximos anos, nós teremos aqui um boom desenvolvimentista raras vezes visto no Brasil”, finalizou.


(Diário do Pará)

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