O sepultamento de Fábio Enderson Monteiro, de 20 anos, foi marcado pela comoção. O rapaz foi assassinado após levar dois tiros na última quarta-feira e o principal suspeito do crime é o cabo da Polícia Militar Ivair Dias de Oliveira. O velório da vítima ocorreu na capela dos Capuchinhos, no bairro de São Brás, sob forte emoção e um clima de revolta. A tão aguardada chegada do pai do jovem, o investigador José Carlos Chagas Monteiro, também baleado na última quarta-feira supostamente pelo militar, aconteceu na manhã de ontem, horas antes de a vítima ser sepultada em um cemitério particular em Marituba.
O investigador, que ainda encontra-se internado no Hospital Metropolitano, em Ananindeua, chegou em uma cadeira de rodas, já que ainda se recupera da tentativa de assassinato o qual foi vítima na semana passada. Ele, que sofreu quatro tiros, chegou por volta de 8h30, numa ambulância do Samu, acompanhado de um médico e uma enfermeira. Diante do corpo do filho, que estava em um caixão, ele participou de um breve momento de oração e cânticos. Ele chorava muito, assim como os demais presentes no local.Ele falava com bastante dificuldade.
Durante o velório de Fábio Enderson, a reportagem identificou duas pessoas que estavam revoltadas atrás de justiça, pois se disseram vítimas do policial militar. Em 2012, Railton Nogueira de Jesus, de 43 anos, foi abordado pelo PM na frente de sua residência e disse ter sofrido todo tipo de humilhação. “Fui espancado na frente da minha filha e desde então não consegui providência alguma contra ele”. Railton apresentou um documento emitido pelo Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, atestando que de fato ele foi agredido fisicamente. Outro que se dizia vítima do militar, Paulo Cristino Valente, aposentado, revelou que há dois anos trabalhava no Ministério Público, quando foi abordado pelo PM na saída de uma festa na avenida Augusto Montenegro, ao questionar a abordagem, foi baleado na perna e desde então não conseguiu mais trabalhar, e foi aposentado por invalidez. Alegando medo de sofrer alguma retaliação, ele não fez qualquer tipo de denúncia na época, mas agora resolveu externar seu problema a partir do assassinato do jovem Fábio.
O Cabo da PM Ivair Dias de Oliveira, segundo a corregedoria, foi afastado de suas funções, e pode ser expulso da corporação. Ele responde atualmente a um processo no conselho de disciplina da PM. Deverá ainda ser responsabilizado criminalmente pela morte de Fábio Enderson.
(Diário do Pará)
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