O tanque de contenção da empresa Rio Capim Caulim, do Grupo Imerys, voltou a transbordar, nesta terça-feira (6), contaminando novamente o rio Dendê, na comunidade Curuperé, em Vila do Conde, em Barcarena.
O vazamento foi registrado pelos moradores das comunidades próximas. "O vazamento demorou umas quatro horas, o rio transbordou e derramou para uma pista que dá acesso para as comunidades rurais. Os moradores ficaram preocupados, principalmente porque chovia muito, e temiam que o tanque da bacia de contenção rompesse, com risco de ampliar o impacto no meio ambiente e na comunidade que reside no entorno", conta Cleide Monteiro, integrante do grupo de trabalho (GT), que representa o Pólo Industrial de Barcarena.
Ela afirma ainda que o vazamento dificultou o ramal de acesso à comunidade Acuí, impedindo que muitos estudantes e trabalhadores, que residem no local, retornassem para casa.
Os moradores denunciam que se o produto tocar na pele, causa uma séria alergia, que pode resultar em descamação da pele, parecida a queimadura, especialmente nas crianças. As pessoas que se arriscaram a atravessar de motocicleta ou bicicleta, acabaram sofrendo com respingos do líquido contaminado.
"A alta concentração de caulim no rio e no lençol freático prejudica os poços de onde a comunidade consome água, prejudica a pesca e as plantações, prejudicando toda a cadeia alimentar da comunidade", informa a moradora.
O Ministério Público do Estado (MPE) e o Ministério Público Federal (MPF) estão investigando o vazamento. Nesta quarta-feira (7) a promotora de Justiça de Barcarena, Viviane Sobral Franco, esteve no local e constatou o vazamento.
Equipes da Delegacia do Meio Ambiente (Dema) e das Secretarias de Meio Ambiente do Estado e do Município de Barcarena também estiveram no local. Foi solicitada uma perícia do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente também foi acionado, mas até o início da tarde não tinham chegado ao local.
As famílias ribeirinhas que dependem do igarapé estão desde ontem sem acesso à água, poluída pelo minério.
Através de nota a Imerys informou que registrou o vazamento de um pequeno volume de caulim na planta industrial de Barcarena. O mesmo durou de 20h54 às 21h03 (9 minutos), quando foi totalmente contido. A causa do incidente está sendo investigada pela empresa.
Segundo o esclarecimento, não é verdadeira a informação de que houve risco de rompimento das bacias da empresa. Também não possui fundamento afirmações de danos provocados à pele pelo caulim. O caulim é inerte e não tóxico.
(DOL)
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