Calça vermelha, blusa estampada, batom nos lábios e sobrancelha bem marcada. Dona Nilce Castro seria apenas mais uma mulher vaidosa na estatística se não fosse o seu “currículo familiar” invejável. Aos 72 anos, ela tem 10 filhos, 31 netos e 18 bisnetos. Se existe um dia do ano que deve ser comemorado por ela, esse dia é hoje: Dia das Mães. Mas não é a dezena de filhos (sete homens e três mulheres) que faz da acreana Nilce uma mãe especial, e sim a forma como enfrentou os desafios de criá-los.
“Pra mim foi uma coisa muito boa e me sinto muito enriquecida por isso. Minha família está completa e nunca perdi um filho. Criar todos foi muito fácil, não era a época de hoje cheia de coisas ruins”, comentou. “Criei com muito sacrifício. Dificuldade todo mundo tem ainda mais quando é pobre. Mas quando meu marido faleceu – há 17 anos – já estavam todos criados e os mais velhos ajudavam muito. Não foi uma calamidade, nunca faltou nada pra ninguém”, afirmou.
A aposentada teve o primeiro filho aos 22 anos, nada foi planejado e quando ela se deu conta já tinha vários deles em sua aba. Dez bons motivos para ser feliz e que se multiplicaram em números de netos e bisnetos. “Ver todos os filhos com saúde alegria é a minha maior felicidade. Quando penso que Deus me deu esses 10 filhos penso que essa é a minha riqueza. Ver todos sorrindo pra mim me satisfaz muito. Se pudesse voltar no tempo faria tudo de novo e teria até mais filhos. Falar em amor é família pra mim”, disse Nilce.
Com o nome inspirado no da matriarca, a filha Lenilce Baía, 44 anos, é quem cede a casa para reunir toda a família. “Sempre fazemos um almoço no domingo, mas é muito difícil vim todo mundo. Hoje ainda tem muita gente que faltou”, comentou. A costureira ainda conta que admira a dedicação que a mãe sempre doa a ela e aos irmãos. “A minha mãe é viúva e não quis saber de outro marido. Ela vive em prol da gente. Ela é uma mãe muito protetora. É a mãe que todo filho gostaria de ter”, acrescentou Nilce.
“Minha relação com a minha mãe é tudo de bom. Ela é uma mãe exemplar, sempre procurou dar o melhor para nós. Deu a mesma atenção e educação para todos”, destacou emocionada a filha Elizabeth Castro, 49 anos.
Mesmo com os filhos já crescidos, a aposentada ainda ‘pega no pé’ da cria. “Sempre ligo preocupada e brigo quando um não me atende ou some. Me martiriza pensar que eu me preocupo tanto e quando eu morrer eles vão ficar aqui”, confessou.
Descolada e moderna, dona Nilce foge da imagem de uma matriarca do imaginário popular. Os looks são, inclusive, exibidos nas fotos de perfil no Facebook. E sim, ela navega na internet. “Admiro o jeito dela de se vestir, ela é muito jovem e vaidosa. Somos muito amigas e companheiras. Ela é minha mãe e meu pai ao mesmo tempo. É a pessoa que eu mais amo”, se declara a filha Núbia Castro, 39 anos.
Uma força repassada às gerações
Durante a entrevista, com um pouco de esforço, a aposentada revelou a data de nascimento de todos os filhos, a dos netos ela não conseguiu: “Está difícil”, disse aos risos. Afinal, são 31 netos numa memória que já tem mais de 7 décadas de estrada. Mas, o nascimento do primeiro neto ela nunca esquece. “Fiquei alegre, muito alegre. Até adoeci! Tenho vontade de ser tataravó, viver isso antes de morrer. Estou até me arrepiando só de pensar. Nem minha irmã mais velha tem o tanto de neto e bisneto que eu tenho”, se orgulha. Além dos 10 filhos, Nilce também ajudou na criação de netos e bisnetos.
Abraçado na avó, o auxiliar de escritório Eliel Castro, 25 anos, tentou emocionar a matriarca, mas não conseguiu. “Minha vó é um mulher muito boa, uma vó inesquecível. Mulher guerreira que eu admiro e amo muito. Chora vó, a senhora não vai chorar?”, brincou. Serena e sorridente, Nilce não se desmanchou e continuou mantendo a força que sustenta a família há tantos anos.
A neta Edilene Castro, 24 anos, define Nilce como especial. “Ela tem uma família grande e compartilha o mesmo carinho por todos. Quero que ela tenha muitos anos de vida para ver a família crescer mais e mais”, deseja.
“A minha vó é muito legal, me dá muito carinho. É a minha segunda mãe. Dormíamos juntos quando eu era pequeno, ela brincava de ursinho comigo e cantava pra mim. Hoje ela me dá conselhos, as vezes ligo pra ela e mando mensagens no Facebook”, completou Lucas Castro, 14 anos.
(Diário do Pará)
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