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Pacientes enfrentam longas filas no HOL

Sentado improvisadamente na mureta que rodeia a árvore instalada na entrada lateral do Hospital Ophir Loyola, o agricultor José Waldemiro Cardoso aguarda pela realização de um dos exames que antecedem a inevitável cirurgia para retirada de um tumor cancer

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Sentado improvisadamente na mureta que rodeia a árvore instalada na entrada lateral do Hospital Ophir Loyola, o agricultor José Waldemiro Cardoso aguarda pela realização de um dos exames que antecedem a inevitável cirurgia para retirada de um tumor cancerígeno no estômago. Morador do município de Tailândia, de onde saiu às 23h30 deste domingo(11) para que estivesse na porta do hospital de referência só às 7h de segunda-feira(12), esperar é o que mais o paciente tem feito. “Eu tô aguardando pra fazer uma cirurgia, né? Como meu problema é muito sério, eu tô esperando aí pra ver quando vai ter um leito pra fazer a cirurgia”.

Sem que fosse necessário falar da gravidade do seu estado de saúde, a vasilha que carregava nas mãos com uma pequena quantidade de leite já era uma evidência da fragilidade do homem, antes, acostumado a lidar com a terra. Franzino e encolhido ao único espaço encontrado em meio a grande quantidade de pessoas que também madrugavam na fila, há dois meses José Waldemiro já não consegue mais trabalhar pra sustentar os seis filhos, mas é obrigado a enfrentar o frio do concreto na entrada do hospital público. “Desde que eu descobri que tava com esse câncer, tem dois meses isso, eu já vim pra cá cinco vezes. Toda vez é essa mesma fila que tem que enfrentar. Mesmo depois da viagem, porque lá em Tailândia não tem disso (tratamento oncológico), ainda tem que esperar aqui”, constatava, aparentemente conformado, mas não menos consciente. “O certo era a gente ter os nossos direitos, mas a gente vive é essa vida de espera”.

Com o marido também em situação de fragilidade, a dona de casa Rosenilda Souza, desta vez, não precisou enfrentar a fila da madrugada. Ainda assim não deixou de ter dificuldades. Diagnosticado com câncer de medula há sete anos e com o organismo debilitado pela doença, Orivaldo Queiroz, de 58 anos, se viu preso no elevador do hospital com a esposa.

Já operado, há alguns anos, em decorrência de um câncer no estômago, o aposentado José Batista da Silva procurou o hospital na noite de domingo, quando ainda sentia dor. Depois de atendido pela urgência e emergência, a ida pra casa foi adiada pela necessidade de aguardar, mais uma vez, na fila.

Com o resultado de alguns exames para mostrar ao médico desde o dia 22 de abril, a paciente Ana Maria Ferreira não conseguia ter a mesma força para aguardar em pé na fila. Debilitada, um banquinho de plástico era o maior conforto conquistado na calçada em frente ao hospital de referência em tratamento de câncer. “Já teve dia que a consulta tava marcada pra 11h e a gente só conseguiu consultar 19h. A gente vem de Ulianópolis pra fazer esse tratamento aqui. Não tenho condições de enfrentar essa fila, não tenho condições de ficar nessa fila”, repetia.

Em nota

o hospital Ophir Loyola, informou que cerca de 70% dos usuários que vêm marcar exames no Ophir Loyola- quando as agendas são abertas- são encaminhados pelo Departamento de Regulação (DERE)/ Sesma (demanda externa), oriundos até mesmo de Estados vizinhos. “O HOL é um dos executores da Rede Credenciada de exames de média e alta complexidade do município, e apresenta recepção de alta demanda na marcação de exames vinda DERE’S municipais”, informou. “No documento de marcação, consta o dia e horário da consulta do pacientes. Informa ainda que este dever comparecer apenas 30 minutos antes da consulta, até mesmo para que não haja tumultos desnecessários”.

(Diário do Pará)

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